10 de março de 2016 às 07h07min - Por Mário Flávio

italiano

Ontem (09/03) o mafioso italiano Pasquale Scotti, de 57 anos, preso no Recife e enviado para Brasília, foi entregue no Rio Janeiro aos policiais federais italianos. Ele foi extraditado para a Itália, por autorização do Supremo Tribunal Federal.

ENTENDA O CASO – O mafioso italiano, PASQUALE SCOTTI, natural de Casória-Nápoles-Itália, 56 anos, casado estava residindo no bairro do Sancho-Recife/PE quando foi preso pela Polícia Federal em Pernambuco com apoio de Policiais Federais de Brasília/DF, em ação conjunta com a INTERPOL, no dia 09/03/2016, quando repetia a rotina de comprar o pão e levar os filhos ao colégio. Considerado, principal líder de uma máfia na Itália. Condenado à prisão perpétua pela justiça italiana, ele estava foragido desde 1986. O foragido teve sua prisão decretada pela justiça italiana em 1991, após condenação pela prática dos crimes de porte ilegal de armas de fogos, resistência, extorsão e mais de vinte e seis homicídios, crimes cometidos entre 1980 e 1983. Os integrantes da máfia usavam de armas de fogo, intimidação e ameaça.

PASQUALE antes de vir para Recife/PE passou por vários estados do Brasil e estava usando o nome de FRANCISCO DE CASTRO VISCONTI, era sócio de uma boate e de uma empresa no ramo de importação de alimentos e estava no Brasil, desde o ano de 1986 onde em 1995 casou-se com uma brasileira e teve 2 filhos.

A comparação das digitais possibilitou à INTERPOL no Brasil identificar que o foragido utilizava falsa identidade no Brasil, onde possuía, inclusive, cadastro de pessoa física e título de eleitor obtidos ilegalmente e se apresentava como empresário na cidade de Recife. A prisão foi determinada pelo Supremo Tribunal Federal em menos de 24h após o pedido formal na INTERPOL pela prisão do italiano. Com a prisão, as autoridades italianas darão início ao processo de sua extradição para a Itália.

O mafioso italiano havia sido levado para Brasília desde o dia 27/05/2015 onde estava aguardando num presídio do Complexo Prisional da Papuda e Brasília a conclusão do processo de extradição.

A história sangrenta da máfia italiana Camorra, que atravessou mais de um século e é tema de livros e filmes, teve um importante capítulo escrito em Pernambuco. Pasquale Scotti é acusado de 26 homicídios, incluindo o famoso assassinato do banqueiro Roberto Calvi, conhecido como “Banqueiro de Deus” por sua relação estreita com a Santa Sé. Calvi foi morto em Londres, em 1982, num caso que se acreditou tratar de suicídio, em princípio. Pasquale integrava uma lista de dez superprocurados pela Itália, de onde sumiu há 31 anos. Em 1991, teve a prisão decretada pela Justiça italiana por crimes entre 1980 e 1983. Foi condenado à prisão perpétua em 2005.

A prisão dele repercutiu na imprensa internacional, e foi comemorada pelo ministro italiano do Interior, Angelino Alfano. O italiano estava foragido desde a noite de Natal de 1984, quando saiu de um hospital em Caserta, na Itália. A última aparição no país teria sido em um funeral de um irmão, em que Pasquale foi vestido de padre para despistar a polícia. Começava uma nova vida… O italiano mudou documentos, fez uma plástica e viveu por 28 anos sem levantar suspeitas.

O mafioso chegou à capital após percorrer outros estados brasileiros. Deixou o nome para trás e conseguiu emitir novos documentos com o nome de Francisco de Castro Visconti, filho de Nicola Visconti e Ana Maria Castro. Ele tinha CPF, título de eleitor emitido em 28 de fevereiro e carteira de habilitação emitida pela primeira vez em maio de 1996, renovada em 2012, em Vitória de Santo Antão, com validade para novembro de 2016.

Por quatro meses, em 1999, foi sócio do Sampa Night Club, em Boa Viagem. Atuava também no ramo de fogos de artifício, com a empresa Piroex-Eireli, aberta em setembro de 2009, e com importação de alimentos. Nem a mulher nem os filhos tinham conhecimento do histórico de crimes do italiano, que afirmou ter gostado do Brasil. Quatro agentes da Interpol prenderam Pasquale, após ele deixar as crianças na escola, para evitar constrangimento.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro