11 de outubro de 2012 às 16h24min - Por Mário Flávio

Lícius Cavalcanti diz que vai continuar no PCdoB e cogita futuras candidaturas

O atual presidente da Câmara Municipal de Caruaru, Lícius Cavalcanti (PCdoB), acredita que seu posicionamento “fogo amigo” diante da atual gestão de Zé Queiroz (PDT) tenha sido correta e lhe permitiu uma vitória política nas eleições 2012, ainda que nas urnas ele não tenha obtido êxito e apenas Edmilson do Salgado tenha conseguido manter a representação do partido comunista no legislativo para o próximo ano. Durante entrevista no programa Conteúdo desta quinta-feira (11), pela Rádio Caruaru FM, Lícius reconheceu, no entanto, que realmente houve falhas durante sua campanha para vereador e confirmou ainda que teria havido articulação por parte de outros candidatos para prejudicar a campanha dele.

“A intenção do diretório municipal do PCdoB nunca foi se posicionar contra a Frente Popular. Nós levantamos a questão do apoio à Frente Popular e o que eu expus é que só subiríamos no palanque do candidato se houvesse o diálogo entre todas as forças políticas envolvidas. Nós não conseguimos isso, mas acredito que isso não foi responsabilidade de João ou de Raquel Lyra. Havia, sim, um problema de diálogo com o partido. O PCdoB não foi convidado para participar da formação do chapão, por exemplo, nem da elaboração do programa de governo. Mas a ala do PCdoB que decidiu não subir no palanque do candidato da Frente Popular tomou uma posição de independência, de não nos submetermos a um sistema político”, afirmou Lícius, que na verdade havia ensaiado uma pré-candidatura a prefeito, algo que não se concretizou,o que chego, inclusive a gerar especulações nos bastidores de que ele tivesse “se vendido”  para apoiar a candidatura de Queiroz (PDT). Isso Lícius voltou a negar de forma enfática.

“Diziam que eu tinha me vendido, mas nós tomamos uma decisão de independência e honramos isso, em nenhum momento foi tocado no assunto de dependência financeira ou qualquer outro tipo de barganha. Aliás, sempre me posicionei dessa forma como presidente da Câmara, não seria diferente na campanha”, continuou. Mas, o fato é que o comunista não se reelegeu e, indagado se esse foi o preço pela postura independente na Câmara e durante a campanha, ele afirmou que não se trata disso. “O preço foi maravilhoso, parece até contraditório dizer isso, mas todos os líderes políticos sofrem derrotas. Miguel Arraes teve derrotas, o próprio ex-presidente Lula teve derrotas. Faz parte de um processo político. O que isso fez para Lula? Tornou-o mais humilde, mais sábio. Quem só faz ganhar, se torna arrogante e busca apenas poder pelo poder. Não é assim que eu faço política”, argumentou.

CAMPANHA ELEITORAL

Contudo, ele admite que cometeu erros durante o mandato e na campanha. “Eu acabei me afastando da comunidade que represento, na Vila Kennedy para priorizar os trabalhos na presidência da Câmara e isso pesou durante o período eleitoral também”, reconheceu. Em contrapartida, ele declarou que acredita que teria havido um esquema de compra de votos no bairro da Vila Kennedy, encabeçado por outros candidatos do bairro, para enfraquecer a campanha dele. “É verdade, houve um grande sistema de articulação para tirarem uma pessoa que incomodava o governo. Não cito nomes, mas é verdade que houve compra de votos. No entanto, eu não estou magoado e eu já disse lá na minha comunidade que estou com tranqüilidade no coração, pois eu saio fortalecido pelo reconhecimento do meu trabalho e da minha postura enquanto político. Eu digo que, enquanto a vitória de Edmilson do Salgado foi eleitoral, a minha foi política”, completou.

Mesmo em posição independente à candidatura de reeleição de Zé Queiroz, no entanto Lícius afirmou também que acreditava na vitória dele, ainda que considere que o uso da máquina e os apoios estadual e federal tenham sido o maior mérito do prefeito. “Por toda a estrutura de campanha de Queiroz, acredito que qualquer analista político já considerava que ele seria reeleito. O candidato da Frente Popular, o prefeito, realizou uma campanha de peso e teve assessorias jurídica e de comunicação eficientes. O guia dele foi muito bem construído e mostrou as ações da atual gestão e todo o conjunto de propostas de governo do candidato. Mas, houve ainda o fato de que faltando poucos meses para as eleições, o prefeito utilizou bastante a máquina pública, algo que não é proibido, afinal a prefeitura não pode parar de realizar obras. No entanto, a máquina foi bastante usada na campanha. Isso faz parte de uma velha forma de fazer política. Eu poderia ter usado a imagem da Câmara na minha campanha também, mas acredito que o trabalho realizado na Casa deve ser preservado”, defendeu o comunista.

 PRÓXIMAS ELEIÇÕES

Sem obter sucesso nas eleições municipais, Lícius chegou garantiu que vai continuar atuando politicamente e cogitou inclusive possibilidades de lançar candidatura para deputado estadual em 2014, ou mesmo sair candidato a prefeito em 2016, o que depende das discussões internas do PCdoB. “Eu vou continuar meu trabalho no PCdoB, um político não encerra seu mandato quando acaba um mandato ou no fim da campanha. Daqui a dois anos haverá eleição de novo, há possibilidades a serem discutidas. Disputar uma prefeitura em 2016 é também algo a se colocar em pauta pelos companheiros de partido. Mas eu digo que se a população quiser, eu me candidato a seja o cargo que for”, concluiu.

 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro