Desigualdade de renda cai para o menor nível desde 2012

Lucas Medeiros - 11.05.2023 às 18:47h
(Imagem: Glauco Araújo/ G1)

O rendimento médio mensal domiciliar per capita foi de R$ 1.586 em 2022, crescendo 6,9% frente a 2021, quando havia atingido o menor valor da série histórica (R$ 1.484), após dois anos de quedas durante a pandemia de Covid-19.

Em 2022, a massa do rendimento mensal real domiciliar per capita subiu 7,7% ante 2021, chegando a R$ 339,6 bilhões em 2022. A região Nordeste segue com menor rendimento médio mensal domiciliar per capita (R $1.011), enquanto a Sul segue com o maior (R$ 1.927). 

Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Rendimento de todas as fontes 2022, divulgada hoje (11) pelo IBGE.

O rendimento médio mensal real da população residente com rendimento de todas as fontes foi de R$ 2.533, 2,0% maior que em 2021 e 2,6% menor que no início da série, em 2012. O de todos os trabalhos ficou em R$ 2.659, caindo 2,1%. Já o de outras fontes cresceu 12,1%, alcançando R$ 1.657 em 2022, com o item aposentadoria e pensão mantendo-se com a maior média em 2022 (R$2.161) e destaque para o item outros rendimentos, subindo de R$ 562 para R$ 814 (alta de 44,8%), alcançando o maior valor da série.

Já o rendimento médio mensal da categoria Aluguel e arrendamento caiu de R$ 1.989 em 2021 para R$ 1.755 em 2022, menor valor da série. Esse movimento foi acompanhado pelas regiões Nordeste, Sul e Sudeste, a última apresentando a maior queda, de R$ 2.261 para R$ 1.815.

Essa foi a primeira vez que essa categoria ficou abaixo dos dois mil reais na região Sudeste, em uma grande queda. Uma possível explicação pode ser a inflação. Conseguimos perceber esse movimento também em outras categorias. Alguns itens não são reajustados de acordo com a inflação, o que causa essa corrosão”, diz Alessandra Brito, analista da pesquisa.

O percentual de pessoas com algum tipo de rendimento na população do país subiu de 59,8% em 2021 para 62,6% em 2022. Houve crescimento em todas as regiões e o Sul teve a maior estimativa (67,0%), enquanto a região Norte contou com a menor (55,9%).

Cresceu também o percentual de pessoas com rendimento de todos os trabalhos, indo de 41,1% em 2021, para 44,5% em 2022, o que evidencia o aumento de ocupação no país. Em contrapartida, no mesmo período caiu de 24,8% para 24,4% o percentual das pessoas com rendimentos de “Outras fontes”. Dentro do segmento “Outras fontes”, 13,3% (28,5 milhões de pessoas) da população residente recebiam “Aposentadoria e Pensão” em 2022, enquanto 8,9% recebiam “Outros rendimentos”, 2,0% recebiam “Pensão alimentícia, doação ou mesada de não morador” e 1,7% “Aluguel e arrendamento”.

Considerando-se o rendimento domiciliar per capita da população, a participação do rendimento de “Todos os trabalhos” era de 74,5% e a de “Outras Fontes”, 25,5%. Dentro do segmento de “Outras fontes”, 18,1% iam para “Aposentadoria e Pensão”, 1,9% para “Aluguel e Arrendamento”, 0,9% para “Pensão alimentícia, Doação e Mesada de não-morador” e 4,6% para “Outros rendimentos”.

Proporção de domicílios com beneficiários do Auxílio Brasil / Bolsa Família chega a 16,9%

Ainda em 2021, mudanças na política de concessão do auxílio emergencial fizeram com que voltasse a aumentar o percentual de domicílios com alguém recebendo Bolsa Família (8,6%) e se reduzisse a proporção dos que recebem outros programas sociais (15,4%).

Já em 2022, a interrupção do pagamento do auxílio emergencial e a criação do Auxílio Brasil ajudam a explicar parte do aumento percentual de domicílios recebendo este programa (16,9%) e a redução na categoria “Outros programas sociais” para 1,5%. Essas oscilações tão amplas podem indicar migrações para um benefício mais vantajoso durante a pandemia ou decorrer de eventuais dificuldades dos informantes da pesquisa em identificar corretamente qual benefício recebiam.

A categoria de outros programas sociais, que incluía o Auxílio Emergencial, retornou ao seu patamar histórico de menos de 2% na Pesquisa. Já na rubrica onde captávamos o Bolsa Família e onde é captado o Auxílio Brasil neste ano, se compararmos com o pré-pandemia, podemos ver que a proporção de pessoas beneficiadas aumentou de 14,3% em 2019 para 16,9% em 2022”, explica Brito.