13 de janeiro de 2013 às 10h55min - Por Mário Flávio

Da Folha

Depois de sair do último pleito na nona colocação entre os partidos que mais elegeram prefeitos – saindo de 497 gestores em 2008, para 278 em 2012 -, o Democratas estuda a possibilidade de adotar novas estratégias, visando o fortalecimento da sigla no próximo ano – período em que serão as eleições para presidente, governadores e deputados. Na semana passada, lideranças do partido se reuniram na casa do ex-deputado federal e atual secretário de Transporte de Salvador, José Carlos Aleluia, para traçarem objetivos que serão cumpridos para que o partido não saia ainda mais enfraquecido na eleição de 2014. Na ocasião, foi descartada a possibilidade de fusão do DEM com outras legendas, a independência em relação ao PSDB e a aproximação com outras legendas que sejam viáveis ao projeto do partido.

Um dos pontos mais debatidos durante o encontro foi o afastamento da sigla em relação ao PSDB. A legenda quer manter uma postura de independência com o tucanato, já que nas últimas eleições presidenciais o DEM sempre esteve ao lado do partido. Depois de compor o Governo Fernando Henrique Cardoso, o DEM ainda tentou ensaiar a candidatura de Roseana Sarney, em 2002, sem sucesso. Quatro anos depois, o partido indicou o então senador, José Jorge, para compor a chapa encabeçada por Geraldo Alckmin (PSDB). Na última eleição para presidente, a legenda também compôs a vice com Índio da Costa, tendo como candidato José Serra (PSDB).

Ex-presidente nacional do partido, o deputado federal Rodrigo Maia ressaltou que a distância em relação ao PSDB é restrita aos estados e não significa que o DEM não vá marchar junto com o PSDB na eleição presidencial. “O PSDB sempre priorizou seus projetos, mas, nessa eleição, cada um dos estados vai priorizar seus projetos. Queremos fazer pelo menos 50 deputados (federais)”, pontuou. Segundo o presidente nacional do DEM, senador José Agripino Maia, a discussão em torno da aproximação com legendas deverá ser feita conforme cada realidade local. “Pode ser com o PSB, PTB, PR, PMDB. O partido terá inteira liberdade de procurar diálogo com todos os partidos. Não significa nenhuma recomendação, nem proibição. Será com todos aqueles que forem convenientes para o partido”, explicou. A hipótese de fusão, de acordo com ele, foi completamente descartada.

O partido vem passando por um processo de enfraquecimento desde a chegada do PT à Presidência. Em 2012, nas eleições municipais, foi possível perceber ainda mais a fragilidade da sigla, já que o partido conseguiu eleger apenas 278 prefeitos em todo o Brasil. Em 2008, o partido fez 497 gestores, enquanto em 2004 – ainda como o nome PFL – esse número era 794. Antes da chegada do PT à Presidência, a sigla tinha representação em mais de mil municípios brasileiros. O partido, inclusive, esteve na vice-presidência nos dois mandatos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), com o pernambucano Marco Maciel.

Com a saída do poder a nível nacional, em 2003, primeiro mandato de Lula, o DEM começou a passar por um momento de declínio. Em 2007, houve uma tentativa de reestruturar o partido, com a mudança do nome PFL para Democratas. A mudança, porém, não surtiu efeito. O partido ficou ainda mais fragilizado depois que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (ex-democrata), criou o PSD e levou a maioria dos filiados interessados em aderir à base governista. Poucos foram os que resistiram às benesses de integrar o campo governista sem o risco de perder os mandatos. “Os melhores ficaram no DEM, tirando o (ex-) prefeito de São Paulo, poucos fazem parte da elite parlamentar”, avaliou Rodrigo Maia.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro