Como a covid-19 pode afetar as eleições municipais

Mário Flávio - 22.09.2020 às 06:25h

Do Nexo

O avanço da pandemia do novo coronavírus no Brasil levou a mudanças estruturais no calendário das eleições municipais de 2020. O primeiro turno passou de 4 de outubro para 15 de novembro. Nas cidades em que houver segundo, o pleito foi adiado para 29 de novembro.

O impacto da crise sanitária, no entanto, vai além das datas. As medidas necessárias para diminuir o contágio do vírus, como a proibição de aglomerações, tendem a afetar um processo que normalmente se baseia em ações presenciais. É o caso de comícios, atos públicos e a campanha corpo a corpo, nos quais abunda o tipo de contato físico que hoje deve ser evitado, como apertos de mão e abraços.

Esse cenário já foi visto nas convenções partidárias, que definiram candidatos e coligações. Iniciado em 31 de agosto, o processo de definição de nomes se encerrou na quarta-feira (16). Salvo exceções, as siglas priorizaram atividades virtuais para evitar aglomerações. Os partidos que promoveram ações presenciais tentaram restringir a presença de filiados ao mínimo possível.

Essa é uma das recomendações do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para 2020. O tribunal tem feito uma série de orientações sanitárias para partidos e candidatos sobre o pleito que vai eleger prefeitos e vereadores. As determinações agora visam o início oficial da campanha eleitoral em 27 de setembro. Elas incluem:

Em reuniões presenciais, calcular o número de pessoas presentes de acordo com a capacidade da sala, de modo a permitir distanciamento mínimo de 1 metro entre as pessoas;

Evitar promover eventos com grande número de pessoas;

Em eventos de campanha, utilizar espaços amplos e abertos para contato com outras pessoas e evitar aglomerações;

Não servir refeições ou realizar outros eventos que impeçam o uso de máscaras faciais;

Evitar a distribuição de material impresso de campanha.

Há também expectativa para entender como a pandemia vai impactar o debate político. A covid-19 matou 135 mil pessoas no país até sexta-feira (18). Ainda que esteja em desaceleração, a pandemia continua a registrar um número diário alto de vítimas e novos casos no país.

Eleições municipais são pautadas por problemas locais e, nas cidades, o avanço da doença restringiu a circulação de pessoas, interrompeu aulas, afetou a economia e gerou desemprego.

Em paralelo, enquanto adotava um remédio sem eficácia comprovada como principal bandeira contra a covid-19, o presidente Jair Bolsonaro criticou gestores municipais e estaduais que adotaram medidas restritivas contra a doença para tentar conter o contágio, trazendo a estratégia de contenção da crise sanitária para o centro do debate político em 2020.