31 de julho de 2012 às 01h12min - Por Mário Flávio

As estratégias de marketing político nas redes sociais durante as eleições deste ano são, sim, bem vindas, ainda mais porque o nível de participação dos eleitores que debatem política na internet desde as eleições municipais anteriores aumentou significativamente. Mas, a utilização da internet como ferramenta de discussão política exige, de outra forma, estratégias que façam sentido, ou melhor, que não brinquem com a inteligência dos usuários.

Em Caruaru, foram iniciadas algumas ações de aproximação com usuários de redes sociais, especificamente Twitter e Facebook. Enquanto uma boa parte das assessorias de comunicação de candidatos tem investido de forma padrão no compartilhamento de informações junto aos seguidores dos perfis de campanha, algo seguro e que garante um bom número de seguidores. Ações que estão dando certo nas campanhas de Zé Queiroz e Miriam Lacerda em Caruaru.

No entanto, há outras possibilidades, mais criativas. Uma delas foi o ensaio de debates no Facebook. Ensaio porque não refletiram exatamente em êxito. Há dois casos para exemplificar isso: as iniciativas do vice da coligação Caruaru em Boas Mãos, Diogo Cantarelli (PSDB) e do candidato a vereador, pela reeleição, Lícius Cavalcanti (PCdoB). Eles anunciaram debates em seus perfis no Facebook e realmente promoveram isso. O problema: não havia realmente como mensurar o alcance das conversas com os candidatos, porque as ações foram feitas através de chats individuais, sem que fosse realmente aberto para todo o público na rede social.

Obviamente, há formas de comprovar que os debates foram relevantes. Diogo, por exemplo, passou mais de uma hora conversando com usuários sobre o Orçamento Participativo em Caruaru. Já Lícius também resolveu conversar com seus amigos no perfil sobre o porquê de decidir se candidatar à reeleição. No entanto, é fácil criticar que, se as conversas foram individuais, se restringiram aos amigos deles no perfil, quem já os conhecia e sabia pelo menos por alto das propostas deles.

O êxito viria se esse debate tivesse alcançado novos seguidores e tivesse repercutido com respaldo os objetivos do debate.
Isso leva à reflexão e ressalva de que é importante apostar em ferramentas digitais de participação política e, claro, as primeiras tentativas não são as mais eficazes e eficientes. Mas, é preciso ressaltar que não adianta apenas divulgar o endereço de um perfil ou um bocado de imagens na internet, enviar informações virais para usuários, sem que isso traga conteúdo relevante.

Divulgar “vote em sicrano, número tal, e prefeito tal” faz pouquíssima diferença na decisão de eleitores, que geralmente já estão cansados de ouvirem carros de som com as mesmas mensagens redundantes nos arredores de suas casas. Voltando ao caso do debate no Facebook, a ideia é original e vale a pena. Cabe, porém, as sugestões diferentes de interatividade. Em vez de chat individual, uma grande conversa em grupo, ou ainda, uma série de perguntas e respostas no mural do candidato. Mais interatividade? Uma twitcam seria uma exposição mais arriscada, mas poderia trazer uma identificação maior com os usuários. #FicaaDica


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro