6 de agosto de 2012 às 03h49min - Por Mário Flávio

Como muitas vezes as pessoas só dão credibilidade a uma linha de pensamento quando ela vem de fora, então vamos lá: uma estratégia de sucesso nas redes sociais durante a administração do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, foi a campanha #40dollars, que consistiu em divulgar essa hashtag no Twitter, questionando as pessoas sobre quanto fariam falta 40 dólares no cotidiano delas. Essa foi uma manobra de campanha eleitoral contra o partido adversário a Obama, o Partido Republicano, que havia apresentado uma proposta de imposto que retiraria justamente essa quantia do bolso dos americanos. Na web, a estratégia gerou uma grande repercussão, entrou para os Trending Topics e chegou a gerar 6000 tuitadas por hora.

Essa estratégia provocou os usuários, instigou-os a refletirem sobre a importância de uma aparente pequena quantia em dinheiro e, consequentemente, confrontar a proposta dos republicanos. Algo, que ao avaliarmos bem, parece ser bem óbvio: provocar um debate e que não dependeu de uma estrutura financeira complexa, mas de uma ideia que deu certo. Não houve picuinhas, conflitos nem agressões verbais, nem ninguém tentou levantar algum tipo de polêmica sem fundamento, e isso bem que poderia se repetir em Caruaru, Pernambuco, nas eleições 2012, mas até agora não foi o momento de ver a criatividade ser bem sucedida por essas bandas.

Na Capital do Agreste, enquanto as assessorias dos candidatos caruaruenses se esforçam para utilizar as redes sociais como estratégia de compartilhamento de conteúdo, algumas militâncias estão perdendo o foco sobre como utilizar essas ferramentas e se limitam a agredirem umas às outras no Twitter ou no Facebook, e em algumas vezes, até com tentativas de descaracterizações e ridicularização.

Provocar um usuários na tentativa de xingar um candidato não é a melhor maneira de tentar fazer uma campanha 2.0 na web. Isso mostra imaturidade, falta de criatividade e uma forma miúda de fazer política em Caruaru, que lembra mais uma vez que, embora a produção de conteúdo na web tenha ganhado mais relevância e força nas eleições 2012, ainda há pouco conhecimento de como convencer eleitores digitais a refletirem sobre o desenvolvimento da cidade onde vivem. O foco ainda é dizer que candidato A não fez nada ou que candidato B faria menos e isso, no final das contas, significa tratar os usuários como massa de manobra para disputas de personalismo político.

 


Comentários



...

Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro