14 de maio de 2018 às 07h18min - Por Mário Flávio

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Por Inaldo Sampaio

Com Lula na prisão e o ministro aposentado Joaquim Barbosa fora do jogo, o ex-ministro Ciro Gomes tornou-se o principal beneficiário dos votos que seriam dados a esses dois. Claro que o candidato que Lula indicar, na hipótese de não concorrer, tende a ser o principal herdeiro dos votos “orgânicos” do PT.

Mas a classe média independente, aquela que se informa pelos jornais, rádios, televisões e blogs, e sabe filtrar o conteúdo das redes sociais, esta caminha a olhos vistos para a candidatura do ex-ministro, que tem sabido ocupar espaços muito mais que Marina Silva, Geraldo Alckmin e Álvaro Dias, que transitam também nesse território. Ciro, a julgar pela entrevista dada ontem a esta “Folha”, leva vantagem sobre esses três porque mostra ter conhecimento dos grandes problemas nacionais e soluções não demagógicas para enfrentá-los.

Além disso, sabe expor com clareza o seu pensamento e até a forma de se relacionar com o PT o tem ajudado. Em que pese a presidente nacional desse partido, Gleisi Hoffmann, tão desprovida de conteúdo quanto Marina Silva, ter dito que ele não passa no PT “nem com reza braba”, em vez de prejudicá-lo fez foi fortalecê-lo nos setores antipetistas.

Com isto, o pré-candidato do PDT beneficiou-se duplamente: terá uma parte dos votos das esquerdas não “orgânicas” que em princípio votariam em Lula, e também de setores do centro-esquerda que querem um candidato que tenha experiência (Ciro foi prefeito de Fortaleza, governador do Ceará, deputado estadual e federal, e ministro dos governos Itamar e Lula).

Ele pode até ser atropelado, de novo, por seu excesso de sinceridade verbal. Mas o caminho para chegar ao segundo turno está desobstruído.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro