28 de março de 2018 às 19h22min - Por Mário Flávio

O 8º Fórum Mundial da Água terminou na última semana e, a partir de agora, as nações seguem com o desafio de colocar em prática as sugestões apresentadas no encontro para a melhoria e defesa dos recursos hídricos do planeta. No Brasil, as políticas e os investimentos em recursos hídricos precisam ser eficientes para proteger as bacias, preservar as florestas, os rios e os mananciais. Outro desafio é promover, também, o tratamento do esgoto em todas as cidades brasileiras.

Aliás, um dos maiores desafios na defesa dos recursos hídricos está justamente nas cidades. De acordo com dados da Agência Nacional de Águas (ANA), as cidades brasileiras consumiram cerca de 500 mil litros de água por segundo, dos mais de dois milhões de litros retirados na natureza para o abastecimento do país em 2016.

Quanto ao descarte da água após o uso pela população, os números da ANA revelam um cenário preocupante: dos 500 mil litros de água retirados da natureza por segundo ao ano, quase 400 mil são descartados como esgoto. Destes, menos de 40% são coletados e tratados.

O especialista em Engenharia Ambiental da Universidade de Brasília (UnB), Sérgio Koide, lembra que a falta de saneamento básico de qualidade nas cidades é o maior fator poluente no país. “Nós temos muitos problemas a superar. Eu acho que nesse sentindo, de maneira geral, tanto o governo Federal quanto os governos estaduais têm falhado no país”, explicou.

O governo Federal estuda editar uma Medida Provisória para ajustar o marco regulatório do saneamento básico e tornar as regras do setor mais simples e padronizadas. O objetivo é facilitar a aplicação de recursos na fomentação de saneamento e atrair parcerias privadas nos projetos de infraestrutura hídrica nos estados. De acordo com a Casa Civil da Presidência da República, o documento está sendo elaborado por uma equipe interministerial formada por técnicos de várias pastas do governo e ainda não tem data para ser divulgado.

Além disso, é necessário que haja maior conscientização da população para uso e o descarte corretos da água, como lembra a especialista em Políticas Industriais, Ilana Dalva Ferreira. “A população precisa entender a importância do saneamento para a vida dela. As pessoas precisam entender que, se elas não tiverem uma água de qualidade na casa delas, e se, quando elas dão descarga aquilo não vai para um lugar adequado, elas vão ficar doentes”, disse.

Ainda de acordo com dados da ANA, em cada grupo de 100 pessoas no Brasil, 43 têm acesso à coleta e ao tratamento de esgoto; 18 à coleta apenas; 12 dão solução por conta própria ao saneamento e 27 não têm nem a coleta e tão pouco o acesso ao tratamento de esgoto.

A maior disponibilidade de saneamento básico está nos estados da região Sul do país, onde 65 pessoas, em cada grupo de 100, têm atendimento adequado de coleta e tratamento de esgoto nas cidades. A maioria da população da região Nordeste não tem acesso aos serviços de coleta e tratamento, e no Norte, menos de 35 pessoas – em um grupo de 100 – têm acesso a saneamento básico.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro