14 de fevereiro de 2012 às 00h18min - Por Mário Flávio

Na semana passada, esse blogueiro e os jornalistas Wagner Gil, Ricardo Perrier e César Lucena fizemos uma mini-entrevista coletiva com o prefeito Zé Queiroz (PDT). O tema abordado foi o ano eleitoral e vários questionamentos foram feitos, mas uma resposta do prefeito chamou atenção. O experiente jornalista César Lucena perguntou ao Chefe do Executivo sobre a rejeição do mesmo, sendo a pergunta baseada na pesquisa divulgada pelo Instituto Exatta/Folha.

Irritado com a indagação do companheiro da imprensa, Queiroz soltou a seguinte frase: “As vezes vocês são meio incompletos em raciocínio, fazem as vezes o raciocínio que querem, não o real e isso é ruim para jornalistas…” Na hora, nos olhamos e fomos pegos de surpresa. Incompleto de raciocínio? Até hoje indago aos colegas de profissão sobre o significado dessa frase.

Vamos aos fatos: quem apontou a rejeição do prefeito Zé Queiroz foi o Instituto de Pesquisa e o Jornal Folha de Pernambuco e a pergunta foi pertinente, não cabendo a um político experiente uma reposta tão áspera, afinal o próprio eleitor dele quer saber como ele vai atuar nesse campo. O repórter usou os dados para formular a pergunta e a partir da mesma, criar um raciocínio lógico e acabar com especulações, já que era a fala do próprio Queiroz.

O jornalista César Lucena ou qualquer outro colega não fez o raciocínio que quis, apenas interpretou os dados e fez a pergunta. O jornalismo interpretativo á uma das ferramentas do novo jornalismo e mais defendida pelos críticos. Por ser um político que veio da comunicação, o prefeito não pode se irritar com perguntas ou esperar apenas as que irão ser do seu agrado, afinal cada repórter estava ali ouvindo a principal autoridade do município para informar aos eleitores dele sobre o resultado de uma pesquisa.

Após a resposta o prefeito fez uma análise sobre a situação e pontuou ao que ele chamou de “raciocínio incompleto”. Por mais que não concordássemos com a resposta, não fomos ao encontro dele, afinal essa não é a função do jornalismo sério. Sei que em ano eleitoral é difícil conter os ânimos, a pressão é grande e vamos sempre perguntar sobre questões políticas, mas nunca com segunda intenções ou com o raciocínio que cada um acha que deve fazer.

Acredito nas imprensa de Caruaru e os colegas que lá estavam já mostraram que têm um bom serviço prestado á comunidade, principalmente por levar a sério os princípios éticos do jornalismo. É apenas o início da cobertura no ano de uma eleição que promete. Vamos pra frente…


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro