23 de dezembro de 2011 às 12h19min - Por Mário Flávio

A criança brasileira passa em média quatro horas 50 minutos e 11 segundos por dia assistindo à programação televisiva (Painel Nacional de Televisores, IBOPE 2007). É possível imaginar o impacto da publicidade na infância?

Ninguém é consumista de nascença. A prática do consumismo é uma ideologia, A sociedade atual é fortemente marcada por esta ideologia. Não importa o gênero, a faixa etária, a nacionalidade, a crença ou o poder aquisitivo. Hoje, todos que são impactados pelas mídias de massa são estimulados a consumir de forma compulsiva e irresponsável. As crianças, ainda em pleno desenvolvimento e, portanto, mais vulneráveis que os adultos, não ficam fora dessa lógica e infelizmente sofrem cada vez mais cedo com as graves conseqüências relacionadas aos excessos do consumismo: obesidade infantil, erotização precoce, consumo precoce de tabacoe álcool, estresse familiar, banalização da agressividade e violência, entre outras. Nesse sentido, o consumismo infantil é uma questão urgente, de extrema importância e interesse geral.

Pais, educadores a agentes do mercado global voltam os olhares para a infância − os primeiros preocupados com o futuro das crianças, já os últimos fazem crer que estão preocupados apenas com a ganância de seus negócios.

Segundo dados do TNS/InterScience, outubro de 2003 as crianças brasileiras influenciam 80% das decisões de compra de uma família, sendo a publicidade na TV a principal ferramenta do mercado para a persuasão do público infantil, que cada vez mais cedo é chamado a participar do universo adulto quando é diretamente exposto às complexidades das relações de consumo sem que esteja efetivamente pronto para isso.

Em 2006, os investimentos publicitários destinados à categoria de produtos infantis foram de R$ 209.700.000,00 (IBOPE Monitor, 2005×2006, categorias infantis). No entanto, a publicidade não se dirige às crianças apenas para vender produtos infantis. Elas são assediadas pelo mercado como eficientes promotoras de vendas de produtos direcionados também aos adultos. Em março de 2007, o IBOPE Mídia divulgou os dados de investimento publicitário no Brasil. Segundo o levantamento, esse mercado movimentou cerca de R$ 39 bilhões em 2006.

Na véspera de celebrarmos mais um Natal reforçamos que indivíduos conscientes e responsáveis são a base de uma sociedade mais justa e fraterna, que tenha a qualidade de vida não apenas como um conceito a ser perseguido, mas uma prática a ser vivida.

PROJETO TRAMITANDO

No dia 12 de dezembro, o Projeto de Lei 5.921 completou dez anos em tramitação na Câmara Federal. Proposto em 2001 pelo deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), o PL pretendia inserir no Código de Defesa do Consumidor um novo dispositivo, trazendo menção expressa à proibição da publicidade de produtos infantis.
Em maio deste ano, a pedido do deputado Emiliano José (PT/BA), foi realizado um seminário para ouvir a sociedade a respeito da proposta. O evento contou com a participação de empresários, publicitários, advogados empresariais e representantes de organizações e órgãos que defendem a infância e o consumidor, e servirá de subsídio para que o relator do PL na comissão, o  deputado Salvador Zimbaldi (PDT/SP), construa seu voto. No momento, espera-se o parecer do deputado. Depois, o PL segue para a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJC), que avaliará os aspectos jurídicos e encaminhará a questão para o Senado.

POR MORADIA DÍGNA 

Mais de 11,4 milhões de brasileiros, o equivalente a 6% da população, moram em favelas e outros tipos de assentamentos irregulares no país. Os números foram levantados pelo Censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O censo indicou que o país tem mais de 6 mil aglomerados subnormais, termo que designa favelas, invasões, grotas, baixadas, palafitas e outros tipos de comunidades carentes.

O Nordeste é a segunda região com maior concentração de assentamentos irregulares, com 28% dos domicílios brasileiros nessas áreas (9,4% na Bahia e 7,9% em Pernambuco). O Censo 2010 indicou que a Rocinha, na zona sul do Rio, é a favela mais populosa do país, com 69.161 habitantes.

Aqui são 852 mil pernambucanos (22% do total registrado no País) vivendo em 255 mil domicílios irregulares, colocando Recife em 5 lugar no ranking nacional.

Em Caruaru, que está entre as 17 cidades do estado com moradia irregular registrando 4.229 domicílios, o recente anúncio do prefeito da entrega de 500 casas para famílias de comunidades carentes, inclusive as vitimadas pela cheia de 2004, são um alívio para as milhares de famílias que ainda não tem moradia digna.

FELIZ NATAL…

… aos que ignoram o alfabeto da vingança e jamais pisam na armadilha do desamor, pois sabem que o ódio destrói primeiro a quem odeia.
Feliz Natal a quem acorda, todas as manhãs, a criança adormecida em si e, moleque, sai pelas esquinas quebrando convenções que só obrigam a quem carece de convicções. E aos artífices da alegria que, no calor da dúvida, dão linha à manivela da fé.
Feliz Natal a todos que pulam corda com a linha do horizonte e riem à sobeja dos que apregoam o fim da história. (Frei Betto)

Paulo Nailson é militante político com atuação em movimentos sociais, Membro da Articulação Agreste do Fórum de Reforma Urbana (FERU-PE) e Articulador Social do MTST. Edita a publicação cristã Presentia. Foi filiado ao PT por mais de 10 anos. Cursa Serviço Social.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro