21 de abril de 2018 às 07h08min - Por Mário Flávio

“A liberdade não se perde de uma vez, mas em fatias, como se corta um salame”, Friedrich Von Hayek.

Amanhece no Brasil. E alguma liberdade será tirada. O mais curioso desta afirmação é que a ação política para diminuir a liberdade individual ou econômica dos indivíduos será sutil, mascarada com um tom de salvação.

Se é na escola que inicia-se a formação profissional, é verdade também que são nas entidades de estudantes (UNE, UESPE, UESC) que inicia-se a formação do discurso político de distorção da realidade.

Proposta comum nesse tipo de organização política é a defesa da meia-entrada e do passe livre. Propostas que carregam consequências sociais e são camufladas na retórica.

Parte da sociedade que vai concordar, por exemplo, com o passe livre, não percebe as consequências nefastas desse tipo de política pública. Esse tipo de demanda comete alguns grandes equívocos. Primeiro pelo fato de que os custos de transportes serão ainda existentes, mesmo com a aprovação de uma lei como esta. Estes custos deverão ser cobertos pelo aumento na cobrança da tarifa ou subsidiados pelo setor público. Se uma parte da sociedade não arcar com seu custo individual de transporte, uma outra parte da sociedade terá que pagar. Deverá ser via impostos, caso a tarifa seja subsidiada. Ou diretamente com o aumento das passagens para cobrir o déficit gerado pelo passageiro que pagou metade.

Ainda há quem acredite que as empresas devem arcar com o custo, diminuindo as margens de lucro. É uma conclusão equivocada. Alguns estudos evidenciam que a demanda por transporte público vem decrescendo em vários municípios. Isto significa que caso uma operadora de transporte público abra mão do lucro, por consequência, ocorrerá à piora dos serviços devido a diminuição da capacidade de reinvestimento. No limite esta empresa estará fadada a falir, piorando o sistema de transporte ainda mais.

Outra consequência grave dessas ideias de políticas públicas é que elas geralmente vencem. Com isso, essas entidades e líderes ganham ainda mais força. E no confuso discurso de proteger os interesses gerais dos estudantes acabam protegendo institucionalmente partidos que protegem os privilégios privados destas entidades. A UNE, por exemplo, como aponta levantamento feito pelo jornalista, Leônidas Villeneuve, recebeu de governos petistas R$ 55,9 milhões da administração pública, desde 2006. O que gera diversas dúvidas sobre a transparência e destino desses recursos.

Em Caruaru, a UESC (união dos estudantes secundaristas de Caruaru) recentemente provocou protestos pelo passe livre, usando dos mesmos discursos das entidades de atuação nacional. Contudo, um fato chama a atenção: alvo das críticas da UESC tem sido pelo fato da AETPC (Associação das Empresas de Transportes de Passageiros de Caruaru) ter permitido que qualquer estudante, com comprovante de vínculo estudantil em mãos, faça seu cartão eletrônico e tenha permissão para uso da meia-entrada. Contudo, para a UESC só existe a permissão de uso meia entrada através da carteirinha emitida pela entidade estudantil.

Em resumo, movimentos políticos populistas como a UESC não se contentam em distorcer a economia, onerar ainda mais a sociedade, e nada apresentar de significativo para a educação. A grande pretensão é ampliar a burocracia política, e diminuir a cada dia a liberdade dos indivíduos. Ampliando os vínculos de dependência com o setor públicos e com organizações políticas.

São estes líderes, em formação política, que em breve estarão formados para pertencerem a classe política. E no uso do poder político estarão a cada amanhecer tentando solapar a liberdade alheia.

*Pedro Holanda é economista


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro