25 de janeiro de 2016 às 08h14min - Por Mário Flávio

Gestão se constrói com diálogo, com participação social de verdade, e com muita discussão coletiva. Numa Cidade como Caruaru não se pode mais achar que decisões da magnitude de temas como a Educação sejam tomadas apenas dentro do principal Gabinete do Palácio Jaime Nejaim. Não à toa, bastava apenas que a atual gestão levasse a sério o seu próprio slogan: “Quando você participa, a cidade fica ainda melhor”.

É notório a falta de espaços para “chamar de seu”, que a Prefeitura de Caruaru tem, só para ter ideia, das quase duas dezenas de Secretarias que o atual organograma possui, com exceção das pastas que funcionam no próprio prédio do Jaime Nejaim, quase nenhuma outra Secretaria possui instalações próprias, inclusive as duas mais importantes: Educação e Saúde, sendo assim, imóveis alugados e que geram grandes despesas aos cofres municipais.

Aí agora vale recordar, para os que conhecem verdadeiramente a história de Caruaru e o início da biografia do nosso maior colégio do município, o Álvaro Lins: Sendo um terreno doado pelo Sr. José de Oliveira, ou Zuza Joaquim (in memorian), pessoa da sociedade caruaruense e de considerável destaque, à época. Sendo criado ali, em 1956, o Ginásio Pedro de Souza, construído pela Fundação Educacional de Caruaru.

Depois se tornou o Ginásio Municipal Lia Salgado, em homenagem ao Político Plinio Salgado, que conseguiu verbas para a construção. Já em 1963, com a implantação do curso científico, passou de Ginásio para Colégio Municipal, e com a morte, em 1970, do escritor Álvaro Lins, o Colégio ganhou o nome desse que é um dos maiores caruaruenses da nossa história. Por muito tempo o ensino do CMAL foi referencia educacional no município, sendo motivo de grande concorrência para os pais dos possíveis postulantes conseguirem suas vagas.

O contexto histórico é importante ser frisado para sabermos e termos dimensão que a construção desse colégio foi realizada através de várias mãos. Se não bastasse o descaso e abandono da gestão com o coração colegial da cidade, que inclusive até já construiu a URB em seu território, agora tenta vender um espaço que deveria ser utilizado para inclusão social, que é a pratica do esporte, e além do mais, por preço de banana, e o mais agravante: sem ter nenhum projeto concreto para o possível “pós-venda”.

A “falha argumentativa” da Prefeitura de Caruaru chega ao cúmulo de afirmar que o espaço é inutilizável há mais de 50 anos, dois quintos desse período, governados pelo atual gestor. Ora, fui aluno no ensino fundamental do CMAL, treinei e fiz parte da equipe, como Lateral Direito, de Futebol de Campo, coordenada pelo amigo Professor Marcelo Onofre, nos Jogos Escolares do Município, jogos esses que foram, incrivelmente, extintos também pela atual gestão, onde era um marco para a Política Pública do Esporte, Lazer e da Qualidade de Vida dos alunos da Rede Municipal de Ensino e que foram privados de serem realizados.

Política é a arte de mudar a vida das pessoas para melhor, a administração pública moderna não tolera mais que a coisa pública seja tratada de forma particular, a administração pública moderna não aceita que Diretores de Escolas sejam indicados por vereadores ou pelos amigos do prefeito, a administração pública moderna não permite que alunos estudem em anexos na zona rural que não permitem o mínimo de humanização do futuro desta cidade.

Se o Imortal Álvaro Lins estivesse num diálogo com o também Imortal Nelson Barbalho, em algum café da Cidade, a fala do primeiro somada a do segundo se resumiria nesta frase com letras garrafais: “O Colégio Municipal é o Maior Patrimônio Invendável do País de Caruaru”.

#NãoVaiTerVendaDoCMAL

*Raffiê Dellon é ex-aluno do Colégio Municipal Álvaro Lins e presidente do PSDB de Caruaru.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro