12 de fevereiro de 2016 às 11h21min - Por Mário Flávio

Nunca se falou tanto sobre Participação Social em Caruaru. Seja, por um lado, movimentos da cidadania exigindo mais abertura, mais diálogo, mais democracia; seja, por outro, a Prefeitura criando novos mecanismos de contato entre governantes e governados. Para os movimentos, o que existe é pouco, pois ainda há decisões importantes tomadas sem escuta popular. Para o governo, a cobrança é injusta, pois nunca tantos espaços de participação foram instituídos na cidade.

A grande ironia de tudo isso é que, provavelmente, ambos estejam certos. São dois lados da mesma moeda, convergindo para uma direção: a indispensável transformação do falido modelo democrático-representativo, questionado em nossa cidade e no mundo, no qual parlamentares e gestores tomam decisões circunscritos a si mesmos.

A existência de espaços de participação não garante, contudo, que haja uma utilização democrática plena e consciente deles, por ambos os lados. Assim como o aparato estatal está desacostumado com um processo tão dinâmico e transparente, a ampla maioria da população desconhece seu poder e sua responsabilidade em ocupar a cena pública. Cabe lembrar, ainda, que além de cidadãos e políticos, há outros atores poderosos, com interesses privados, que tentam disputar o orçamento público para ampliar seus lucros. Ignorá-los, ao limitar o embate entre governo e população, dificulta a compreensão sobre como funciona a política e as formas de incidir sobre ela.

Ao criar a Secretaria de Participação Social, instituir o Orçamento Participativo, o Gabinete Digital, a Ouvidoria 2.0 e realizar inúmeras Conferências, o Prefeito Zé Queiroz contribuiu com a grande visibilidade que a participação tem hoje na cidade. Prova disso é que na gestão anterior, Tony Gel/Neguinho Teixeira, inexistiam canais institucionais de diálogo e mesmo assim não se falava tanto do assunto. Ou, mesmo agora, grande parte dos vereadores, notoriamente distanciados dos anseios sociais, não recebem a mesma cobrança.

Ao assumir o compromisso de ampliar a participação, Queiroz trouxe o tema à tona e arcou com a responsabilidade de ter seu governo mais cobrado por isso. Evidentemente, tais medidas não bastam em si mesmas, e ainda há muito a se avançar para ampliar o poder popular na cidade. Reconhecer o avanço não é se satisfazer com ele. Mas não reconhecê-lo é desperdiçar a oportunidade de ocupar os espaços.

Por fim, qualquer militante sabe que não serão apenas medidas do Estado as responsáveis por alterar uma cultura que atravessa décadas. É a mobilização, a pressão e a educação política, emanadas originariamente da força dos movimentos sociais, dos partidos progressistas, dos meios de comunicação, das escolas e universidades, de cada cidadão e cidadã, que farão com que as janelas abertas se transformem em avenidas.

Que 2016 mantenha a busca por um novo modelo político, democrático e participativo, como um elemento fundamental das decisões que tomaremos em outubro. A grande certeza é que queremos mais. E podemos mais.

*Louise Caroline, 32, é Cientista Política. Foi vice-presidenta da UNE e Secretária da Mulher / Participação Social da Prefeitura de Caruaru. louisecaroline@gmail.com


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro