4 de fevereiro de 2018 às 18h11min - Por Mário Flávio

A nossa Caruaru tem, seguramente, a maior comunidade estudantil do interior de Pernambuco.  Segundo dados do ministério da Educação relativos a 2015, tínhamos 138 mil estudantes, do fundamental ao nível superior.  Se atualizados, creio que esse número ultrapassa 150 mil pessoas, englobando também os profissionais da educação, meus parceiros no dia a dia da construção dos múltiplos saberes.

No ano de dois mil e seis, chegou aqui o Campus Acadêmico do Agreste da UFPE, instituição da qual tenho a honra de ser servidor.  Houve um crescimento incomparável em uma década,  superior ao ritmo nacional.  E no ano de 2013, tivemos a implantação do Curso de Medicina, um capítulo a parte na universo educacional da cidade.

Vale lembrar a iniciativa do brilhante e visionário educador caruaruense Tabosa de Almeida, que idealizou esse curso meio século antes, em 1963.  É exatamente isso, por mais espantoso que possa parecer: Caruaru e o agreste esperaram por cinquenta anos – uma geração – para ter o direito de acolher em seu território a graduação em medicina.

Particularmente,  vejo pelo prisma do descaso por parte de personagens que ocuparam importantes cargos tal demora, mas esse mesmo descaso social foi superado pelo compromisso, vontade de fazer e competências de cidadãos que nunca abriram mão desse projeto, e mesmo com cinquenta anos de maturação, fizeram acontecer.

Hoje, é uma realidade: o curso dispõe de 80 vagas anuais, com um professor para cada dessas vagas, e está instalado em anexo da UFPE campus Caruaru, acolhendo alunos de 46 cidades do Brasil, numa dinâmica própria dos desbravadores da educação.  Inicialmente coordenado pelo professor Rodrigo Cariri, em parceria com o também professor Izaias e atualmente o professor Saulo, esse curso deu mais um passo adiante, quando recebeu do ministro da educação o recurso financeiro para a construção de sua sede definitiva, evento ocorrido aqui em Caruaru, no dia 26 de janeiro, com a presença do Reitor Prof. Anísio Brasileiro.

É um momento histórico para nós que estamos diretamente ligados à relação ensino-aprendizagem, e também para toda a sociedade de Pernambuco, que tem ao dispor a formação de profissionais da saúde, atividade tão necessária para suprir as demandas sempre crescentes aqui no interior.  O projeto prevê a construção dos prédios num prazo de 20 meses, e deverá acolher o curso em todas as suas dinâmicas de laboratórios, salas de estudos, aulas, escolaridade e demais infra estrutura.  Convênios com a secretaria municipal de Saúde e governo do estado só fortalecem e aproximam a relação serviço público e sociedade.

Em suma, registro os parabéns à iniciativa do saudoso doutor Tabosa de Almeida, bem como os seus seguidores que cultivaram ano após ano o ideal da graduação de medicina em Caruaru, na longa trajetória de meio século até a boa semente passar de um sonho para a realidade.  Hoje, somos nós, os “matutos do agreste” responsáveis pelo fazer qualificado na educação da saúde humanizadora.  O espetáculo mágico da educação transformadora não pode parar, nunca!

*Prof. José Urbano


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro