27 de maio de 2018 às 14h31min - Por Mário Flávio

É comum o sentimento de insatisfação entre nós, população, quando o preço de produtos de consumo tem seu valor aumentado. Entre tais produtos, o combustível é um dos que são tão comuns e corriqueiros consumir, que talvez não percebamos sua importância, mas literalmente é o que move tudo o que fazemos. Seja para o trabalho, para a escola, faculdade, encomendas, farmácia, hospital, festas, compras ou viagem, podendo ser de moto, de carro, ônibus, barco ou avião, o combustível derivado de petróleo é o que proporciona a força para mover o Brasil.

Segundo a Confederação Nacional do Transportes, a maior parte da carga transportada no Brasil se move por meio rodoviário, representando cerca de 60% de toda a matriz de transporte de cargas. Do porto ao lar, seu custo operacional é um dos mais caros possíveis, perdendo praticamente para o transporte de carga aéreo.

Tal custo reflete diretamente no preço final de produtos, sejam eles básicos ou não. Ora, se o custo de transporte aumentar, seja por logística, mercado ou tributo, esse encarecimento é repassado para todos os participantes do processo, chegando ao consumidor, como no efeito cascata. É assim com o combustível.

Desde Outubro de 2016, o governo federal adotou que o preço de combustíveis no Brasil seria determinado a partir da cotação do barril de petróleo (em dólar), no mercado internacional. Com isso, nas últimas semanas, o custo dos combustíveis aumentou consideravelmente, tendo 11 aumentos do preço da Gasolina em 17 dias, e o Diesel 7 vezes no mesmo período (OPOVO, 2018).

O custo de combustível no Brasil, já considerado caro, aumentou tanto em tão pouco tempo, que não somente afetou o bolso da população, mas também esvaziou o tanque de paciência dos caminhoneiros.

Provavelmente, o aumento frequente nos combustíveis não pôde ser repassado na mesma velocidade para o consumidor final. Com isso, o que se viu em todo o país foi a paralisação de basicamente toda a classe de caminhoneiros, com particularidade para os que transportam combustível.

Caminhoneiros bloquearam rodovias e estradas em ao menos 19 estados, impedindo que postos de abastecimento recebam combustível por todo o país. Com isso, o relógio começou a contar, e à medida que o tempo se passava, qualquer serviço ou processo que dependesse de combustível foi afetado.

Os primeiros prejudicados foram os motoristas de carro, com menos combustível nos postos, começou uma corrida para encher os tanques antes de acabar. Antes de completar o 2º dia, postos de abastecimento estavam escassos sem poder abastecer. Após isso, fornecedores e prestadores de serviço tinham somente o próprio estoque para rodar seus veículos. O governo iniciou suas ações para chegar a um acordo com os caminhoneiros e chegar ao fim do que já seria uma greve. Enquanto isso, serviços começavam a se estrangular, transporte público estava com frota reduzida, aeroportos cancelando voos, serviços de coleta de lixo diminuindo frequência dos caminhões coletores, centrais de abastecimento com depósitos vazios ou cheios sem poder transportar sua carga, farmácias e mercados sem renovar seus estoques.

Além destes, a área da saúde soou o alerta, pois serviços hospitalares, tal como SAMU, transporte de órgãos e cilindros hospitalares, poderiam por em risco a vida de pessoas.

Entre o “bate-bate” do governo e representantes do movimento, a economia refletia as expectativas, e as ações da Petrobras chegaram a desvalorizar 14%, perdendo 47 bilhões em valor de mercado.

Mesmo tendo sido divulgado um acordo entre os protagonistas, há uma atmosfera rodeada de especulações de locaute por parte de companhias de transporte, como também se o governo vai ou não intervir no preço dos combustíveis. Independentemente do que acontecer ou como se resolver, a rotina nacional não vai voltar à normalidade do dia para a noite.

O recado foi dado, a maneira de se gerir o país nunca se viu numa necessidade tão grande de mudança, de transparência e de otimização. Políticas públicas devem ser revistas para o transporte, economia, saúde, etc. O que aconteceu este mês poderia facilmente levar o país ao caos. Ser passivo, frente a tais problemas, só vai piorar todo e qualquer participante, com ou sem carro, rico ou pobre, urbano ou rural, brasileiro.

Bibliografia

OPOVO. (27 de Maio de 2018). O Povo Online. Fonte: O POVO: https://www.opovo.com.br/noticias/brasil/2018/05/entenda-por-que-o-combustivel-aumentou-no-brasil.html


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro