15 de abril de 2015 às 11h04min - Por Mário Flávio

O mês de abril registra –  este ano –  o fim de mais um estabelecimento comercial que marcou espaço na sociedade da nossa Princesa do Agreste.  Após várias décadas de funcionamento em uma das principais ruas da cidade, assistimos o fechamento do Café Rio Branco, localizado na referida artéria. Ponto de encontro daqueles que degustavam ali  esse delicioso líquido de origem africana, nos habituamos a frequentar e assistir aos mais diversos representantes sociais que lá estavam presentes: intelectuais, empresários, jornalistas, educadores, feirantes, comerciários, homens e mulheres que aqui residem ou mesmo em passagem, se confraternizavam no citado estabelecimento.  

O “cafezinho” era o alimento que unia os mais diferentes personagens, suas ideias e opiniões.  Percebo essa mudança pela ótica do mercado, como um reflexo do progresso comercial que nossa Caruaru se insere, tornando-a uma cidade de economia metropolitana.  Aspectos como pouca  mobilidade, falta de estacionamento,  sem espaços para ampliação e outros fatores somados,  levaram o empreendimento para as páginas saudosas da história. As cafeterias foram transferidas para os Shoppings que temos na cidade, um modelo comercial acrescido de estacionamento, segurança, climatizado e multi funcional.  

Aos mais esperançosos, nos resta aguardar a migração para outro ponto na cidade, mas com a certeza de que as engrenagens do progresso são irreversíveis, e em nome dele, surge o permanente desafio de conciliar os conteúdos históricos da sociedade, com suas necessidades de consumir em grande escala.  Esse é um dos grandes conflitos do capitalismo e sua relação com o a cronologia, afinal, parafraseando o saudoso poeta do rock Cazuza: o tempo não para. Aplausos ao Café Rio Branco, pela sua proposta  social, e parabéns pela função multi cultural exercida em nossa sociedade ao longos de tantos anos.  

*José Urbano é professor 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro