Artigo – Novos ares para o PSOL de Caruaru – por Moisés Bonifácio 

Mário Flávio - 30.12.2015 às 15:27h

  
O momento político atual brasileiro exige de cada um de nós uma clara tomada de posição. Não podemos adotar, muito menos aceitar o mote de “quanto pior, melhor”, pois isto não representa definitivamente uma posição patriota. Não podemos esquecer dos avanços sociais e do desenvolvimento econômico obtidos nos últimos 12 anos. Não podemos nos seduzir por um discurso raivoso de quem apenas quer a tomada de poder e o retrocesso do país a uma política de liberalismo econômico entreguista.

As investidas dessa direita neoliberal objetivando desestabilizar ou até mesmo paralisar o eleito democraticamente governo da Presidente Dilma Rousseff, visam cristalinamente um impedimento golpista. Vemos como exemplo a “Operação Lava Jato” que é manipulada para atingir seletivamente e primordialmente a base do governo, criminalizar o PT e quebrar as empreiteiras nacionais para repassar o mercado aos monopólios estrangeiros e as manobras do Sr. Eduardo Cunha com a tentativa de destituição da presidente.A bem da verdade a crise que estamos a assistir é o confronto de dois projetos de Nação, ou melhor, de dois estilos de fazer política e ver o econômico, completamente antagônicos. 

Um exemplo que podemos evidenciar é a luta de ideias nas redes sociais. Um desses projetos, popular, mas submetido a uma forte pressão econômica com apoio internacional, submetido também a uma judicialização da política e a uma guerra midiática dos porta-vozes da oligarquia financeira e dos grandes grupos econômicos que vai muito além de exclusiva oposição ao governo, mas passa também pela desconstrução de valores de uma sociedade mais humana, menos competitiva, menos consumista e … contaminada por preconceitos, intolerância, numa completa inversão de valores etc. manipulando o senso comum e induzindo a pensar numa atmosfera politicamente dramática uma grande massa inculta de nosso país, passando a ideologia de uma minoria devidamente vendida ao capitalismo. 

No outro lado, falsos moralistas que se escondem por trás do discurso da ética e contra a corrupção (como se esta tivesse nascido neste governo ou fizesse parte exclusivamente dos tempos atuais e das terras tupiniquins), disseminando um deturpado patriotismo, igual a torcer ou não torcer pela seleção brasileira de futebol, que nos faz mais ou menos brasileiro, na ótica da imprensa nacional, por exemplo.

Neste contexto vemos a nossa cidade… Como está a política municipal? Como tem crescido a cidade nesses 12 últimos anos? Precisamos levantar indicadores e pensar democraticamente estratégias para os eixos básicos em Caruaru, deixar de sermos meros expectadores de uma política paternalista, acomodados que aguardam a iniciativa dos outros, beneficiados que não pensam no coletivo e passar a querer construir nossa cidadania opinando e participando, envidando esforços para o bem de todos.

Impõe-se constituir aqui em Caruaru um grupo democrático e progressista capaz de fazer vicejar uma ação comum que possa fomentar uma ampla mudança na política municipal, sem o que não derrotaremos as tradicionais oligarquias, as novas lideranças, mas que representam os mesmos e velhos grupos políticos com as mesmas táticas e pensamentos e os candidatos de ocasião, que fazem com que interesses pessoais sobrepujam aos interesses gerais dos partidos (lembrar sempre que um partido não é feito de nomes, mas de propostas e projetos para a cidade) aos quais esses políticos “muda-casaca” pulam de eleição em eleição, isto quando não se fazem de inimigos de 4 em 4 anos, para um completa reforma estrutural democrática em nossa cidade. Vale-se aqui salientar que pular de lado e mudar apoios não é exclusividade de políticos novos, não! Tem muita gente em Caruaru que faz isto, bem como jogar a culpa nos outros por suas próprias incompetências. Não podemos manter este ciclo vicioso, retroalimentar essa política provinciana que já se arrasta há 34 anos.

Devemos sim aprender com a partilha de experiências, com o desenvolvimento de nossas potencialidades, revigorar o apoio na continuidade das mudanças no Brasil e dar início às mesmas em Caruaru, fazendo parte de um grupo que resista ao retrocesso, à submissão, sobretudo econômica e oligárquica e ao entreguismo e fazer valer a nossa voz. É mister pensar em como nós, como cidadãos queremos construir o nosso próprio caminho.

Sendo assim, a proposta do Partido Socialismo e Liberdade-PSOL é a que melhor se encaixa no horizonte estratégico de uma nova política em Caruaru, seus filiados representam nomes éticos, respeitados na sociedade e são capazes de dar conta das enormes demandas históricas e concretas dos trabalhadores e dos excluídos de nossa cidade, numa alternativa verdadeiramente nova e descomprometida com caciques políticos ou grupos econômicos e/ou financeiros.

Temos que ter legítimos e independentes representantes do povo, nunca subservientes que agem caninamente com relação ao executivo. E somente assim, independente de quem esteja na administração da cidade, veremos os projetos e ações pensados democraticamente saírem do papel e transformarem Caruaru para melhor e para todos.

*Moisés Feitoza Bonifácio – Guia de Turismo, Turismólogo e Professor.