14 de fevereiro de 2018 às 10h02min - Por Mário Flávio

Pedro Holanda

Começamos 2018 com carnavalescos, escolas de samba e blocos lançando o tom do debate político e econômico do país. A questão é que estes carnavalescos são excelentes no que fazem, e fantasiar a realidade em causa própria. Assim, optaram por negligenciar o respeito à situação orçamentária e financeira do país que atinge milhares de brasileiros.

Trazendo a realidade para números, 10 bilhões de reais deve ser o déficit fiscal apenas no Estado do Rio de Janeiro, segundo a previsão orçamentária anual. Isso significa que não será possível ao estado arrecadar dinheiro suficiente para custear as despesas do estado (saúde, educação, segurança, etc). No âmbito das finanças públicas da União, o déficit é em torno de 150 bilhões de reais. Não há muitas dúvidas de que a maior recessão vivida no Brasil foi resultado desse desequilíbrio nas contas públicas.

Nesse contexto de déficits e desequilíbrios, os serviços públicos que já são em média ruins se tornam ainda piores, e a prioridade no gasto do dinheiro público se tornou a regra. Sem mais rodeios, governos municipais, estaduais, federais e estatais cortaram boa parte dos recursos destinados ao carnaval de 2018.

O resultado é o de sempre, algum grupo privilegiado não gostou. Dessa vez a narrativa política desfilou com samba-enredo. Com muita irreverência e em certa medida com muita razão, políticos foram ridicularizados – confesso que ridicularizar um presidente é sempre engraçado. Porém, como já é de praxe nos protestos à brasileira, optou-se em omitir boa parte das figuras políticas.

Deixaram de lado alguns dos políticos em bastante destaque em escândalos e condenações recentes. Ficando claro que a crítica é pelo corte dos privilégios, ou melhor, pelo corte de recursos públicos destinados à festa e do carnaval de alguns.

Há ainda quem acredite que há retorno econômico do investimento público em festividades, e portanto argumente que o gasto compensa. Pode até ser possível que exista retorno econômico, mas em um país que ainda não superou o saneamento básico universal, se torna até imoral pretender investir o escasso dinheiro público em pouco mais de três dias de festa.

O que deve ficar claro é que o problema não é o carnaval, nem qualquer manifestação cultural. Muito pelo contrário, essa é a identidade brasileira que merece o devido respeito. Afinal, toda cultura brasileira é fruto da livre iniciativa de indivíduos e comunidades que fazem carnavais, festas juninas, e promovem a alegria e criam valor cultural.

A grande polêmica gerada foi apenas uma oportunidade daqueles que sabem fantasiar a realidade e através de enredos defenderem seus privilégios, que em geral são sempre caros ao restante da população, que é quem banca.

*Pedro Neves de Holanda – Assessor econômico. Co-fundador do movimento Caruaru Livre


Comentários



...

Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro