10 de abril de 2018 às 21h08min - Por Mário Flávio

Desde a última sexta-feira (6) quando o prazo para a apresentação, na polícia federal de Curitiba, do líder do PT chegou ao limite, muito se foi produzido na tentativa de compreensão de todo esse processo. O que existiu em comum na maioria dos artigos produzidos era uma visão morna baseada em muitos elementos que já conhecemos, e quando se tornam argumentos de defesa de uma ideia se mostram frágeis e sem bases de sustentação, porque o sentimento de amor ou ódio a Lula se torna o tempero principal, e isso é muito raso.

Desde a minha primeira publicação nesse espaço tenho como norte a análise política dos fatos, e como tal, contribuirei nessa análise a partir de elementos políticos que cercam todo essa condenação ao ex-presidente Lula.

De forma alguma podemos afirmar que o Lula foi o grande líder político que uniu as esquerdas, politicamente ele fez totalmente o contrário, o governo lulista contribuiu para a conciliação de classes, na medida em que seu governo apresentava bons índices econômicos existia um diálogo muito afinado com as alas mais conservadoras e o mercado, a esquerda só era interessante ao Lula quando o mesmo necessitava de apoio, com isso era aberto o diálogo com os movimentos sociais e os partidos, esse fato é constatado quando ainda no primeiro governo muitos intelectuais e partidos de esquerda compreendem o caminho que o PT ia seguir e começam a abandonar o governo.

O primeiro e o segundo mandato de Lula ampliando os programas sociais, controlando a dívida externa, ganho real do salário mínimo e a elevação econômica do Brasil foram realizações que a tradicional direita, encabeçada pelo PSDB, não conseguiam compreender e que nas eleições presidenciais criavam em muitos momentos um discurso próprio do PT do que ideias originais.

Nesse contexto (Lula e o PT), conseguem eleger duas vezes Dilma Roussef, o PSDB, principal adversário, vê esgotado os candidatos e encabeça uma luta não mais eleitoral, a ordem do dia era inviabilizar o PT, desconstruir Lula, mas não a partir de combates propositivos de ideias, os tucanos se engajaram em fazer da operação Lava Jato aquilo que eles não conseguiram, desconstruir a imagem do PT e Lula e assim abrir espaço para o candidato que mais se aproximou em derrotar o PT, Aécio Neves.

A Lava Jato pode até não ter nascido com um viés político, mas com o passar do tempo se tornou um agente político decisivo para a derrocada do PT.

A partir de 2013 com movimentos de rua cria-se no Brasil um sentimento anticorrupção que uniram direita, esquerda, conservadores num coro só, o gigante acordou. Quando chegamos em 2016 depois de várias fases da operação lava jato, é criado um novo sentimento de que a corrupção é obra de um individuo e de um partido, e esse sentimento nutriu uma rivalidade que coloca o PT como sendo o grande representante da esquerda e logo a esquerda foi quem colocou o Brasil na crise econômica e que seria necessário um pacto para recolocar o Brasil nos trilhos do crescimento econômico e paralelo a isso acabar com a corrupção.

Nesse percurso, a Lava Jato conseguiu chegar a caminhos que não “devia”, alcançou políticos e esquemas que começaram a jogar por terra o percurso da direita em voltar ao poder por vias democraticamente eleitorais, o principal partido de oposição ao PT perdeu seu principal candidato, a direita canalizou seu ímpio “anticorrupção” a um político de extrema direita, o Bolsonaro assume o vácuo, porém, não é o candidato do mercado e nem da grande mídia.

Nesse processo que o Brasil vem vivendo a pelo menos 5 anos com as jornadas de junho, só quem perdeu foi o povão. Os mais pobres, que compõem a maioria da nossa população, que estão vendo o salario mínimo perder o poder de compra, reformas que deformam e precarizam o trabalho, desemprego em alta, gasolina e gás de cozinha com preços alterados frequentemente, e tudo isso é decorrente dos interesses pessoais em se manter no poder por pura e simples vaidade, deixando as margens os que mais necessitam de ajuda e auxilio do estado.

Está brevíssima análise tenta colocar em pauta que o problema do Brasil é estrutural e não se resolve com frases prontas e nem com reformas e nem muito menos condenar toda a corrupção centenária do Brasil a um partido político ou a um politico, o Brasil necessita de projeto político que coloque como prioridade aqueles que mais necessitam, e ficar no debate entre coxinhas e mortadelas, liberais modinha ou esquerda cirandinha não vão contribuir em nada, ou superamos esse momento de forma madura e responsável ou o Brasil se tornará um país inviável aos avanços sociais.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro