Artigo – Governo sujo e Congresso pobre! por Jefferson Paz*

Mário Flávio - 03.12.2015 às 09:21h

Quarta-feira, 03 de dezembro de 2015, foi um dia histórico. Sabe aquele deputado que é presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, investigado pela operação Lava Jato sob acusação de receber US$ 5 milhões provenientes de recursos públicos desviados da Petrobras e que responde pelo nome de Eduardo Cunha? É o mesmo que fez e faz inúmeras manobras regimentais no único e exclusivo objetivo de atender seus interesses. Um oportunista, cínico e segundo a Procuradoria Geral da República, um corrupto, e que agora, posando de moralista, autorizou que fosse aberto o processo de impeachment da Presidente Dilma Rousseff.

O Partido dos Trabalhadores, na pessoal do presidente nacional do partido, Rui Falcão, orientou que os deputados do partido que estão na Comissão de Ética e Decoro Parlamentar da Câmara Federal votassem pela continuidade do processo de cassação de Eduardo Cunha. Sabendo o PT, Rui e deputados do partido, que eles corriam o sério risco como retaliação de acontecer o que aconteceu; Cunha desengavetar um dos vários pedidos de impeachment contra Dilma.

Esta quarta-feira não ficará marcado apenas pela autorização dada por ele(Cunha) sob o argumento que foi “uma decisão de muita reflexão e de muita dificuldade” para abertura do processo de impeachment contra a Presidente, cabendo uma indagação: Será mesmo que Cunha refletiu tanto assim como diz para tomar tal decisão? Sinceramente, cinismo tem limites! Vale ressaltar também que para não burlar a Lei de Responsabilidade Fiscal, nosso Congresso Nacional aprovou uma “revisão” e que a base governista deu o nome de “atualização” na meta fiscal de 2015, mas que na verdade a palavra certa para esta medida é “adequação” ao rombo nas contas públicas e com um único objetivo: não enquadramento da Presidente na Lei de Responsabilidade Fiscal. Ao invés de fechar o ano com um superávit primário de R$ 55,3 bilhões, fechará com um déficit que pode chegar R$ 119,9 bilhões.

Não estou aqui querendo defender Dilma, o PT nem quer que seja. Até por que não votei nela, não votaria, ela e seu governo não me representa e, digo mais, acredito que Lula e o PT prestaram um grande desserviço ao Brasil ao apresentarem esta mulher ao país. Uma Presidente que não dialoga com o Congresso, não consegue governar o país, fruto de uma herança maldita deixada por ela mesmo. Aliás, falando do seu governo anterior, foram vários ministros que caíram por corrupção, configurando-se um governo sujo, que prometeu fazer uma “faxina ética”, mas acabou colocando a sujeira para de baixo do tapete e decepcionando seus próprios aliados.

Dilma aterrorizou os brasileiros na eleição do ano passado(2014) dizendo que se eleitos, seus adversários acabariam com a Petrobras, arrochariam salários, cortariam direitos trabalhistas conquistados a duras penas, acabariam com programas sociais, desmantelariam nossa economia, permitindo a volta do “dragão inflacionário”(até parece que ela estava fazendo uma previsão de seu próprio governo) e fizeram o diabo para ganhar a eleição, como de costume. A Marina Silva, coitada, desapareceu ainda no primeiro turno. O Aécio ainda conseguiu disputar de igual para igual, e levou a eleição para o segundo turno, mas as mentiras descaradas tantas vezes proferidas pela Presidente e o ex-presidente Lula nos comícios transmitidos pelos guias eleitorais, acabaram iludindo direitinho o brasileiro.

Na verdade podemos afirmar sim que Dilma mentiu, enganou os brasileiros e passou dos limites. Mas ganhou as eleições democraticamente e a decisão da maioria foi por sua reeleição e isso nós temos que respeitar, mesmo que nos doa ter uma Chefe de Estado como Dilma, mas temos que respeitar. Um processo de impeachment pode ser muito penoso para o Brasil e não estão medindo as consequências. Não podemos transformar o Brasil numa República pequena, nem muito menos brincar de democracia. É verdade também que ela não consegue governar, mas esse é o início do processo. Cunha tem ainda que formar a Comissão Especial e o caminho é longo para o afastamento de Dilma pelas vias legais. Mas uma coisa é certa, se depois dessa quarta-feira histórica a crise político agravar-se, não restará alternativa a Presidente se não a renúncia. E aí começaríamos uma nova história. Um governo de união nacional, o que talvez salvaria o país das múltiplas crises pelas quais estamos duramente atravessando.

*Jefferson Paz é presidente da Juventude do PMDB em Caruaru