30 de maio de 2018 às 09h49min - Por Mário Flávio

Sem nenhuma dúvida a greve dos caminhoneiros só confirma a fraqueza que é esse governo comandado por Michel Temer. A cúpula governamental, oficialmente, se pronunciou duas vezes afirmando terem entrado em acordo com os grevistas e finalizando o movimento, porém efetivamente pouca coisa foi concretizada do acordo.

Nesse momento, o debate que me interessa é identificar a inércia em questão de um posicionamento mais efetivo da direita e da esquerda, nessa inércia observamos o crescimento em apoio a uma intervenção militar e os discursos fascistas da extrema direita.

Na atual conjuntura quem politicamente está somando pontos é o exercito, sem ações brutas e sem utilizar a violência, estão conduzindo as escoltas de combustíveis e de suprimentos sem se indispor com os manifestantes, ao mesmo tempo em que a sensação de caos aumenta, gera clamor popular e desgasta o governo.

Diante de todo esse movimento a esquerda também entra no dilema, se tiver a paciência e a sabedoria que a direita não teve há anos atrás, deverá deixar esse governo sangrar e entrar em um desgaste que inviabilizará qualquer candidatura de direita, pois a guerra de propaganda associará o governo Temer, a uma estrutura política da direita, coisa que não é mentira, mas por outro lado a paciência para ver a morte do governo em Outubro poderá ser ineficaz a partir do momento em que essa crise se estenda e cada vez mais o clamor intervencionista ganha força.

No momento o caminho da esquerda tem que ser contundentemente um apoio ao movimento caminhoneiro e ao mesmo tempo um combate intenso ao discurso fascista que quer a volta da ditadura disfarçada em intervenção. Um aspecto é a pauta legal do movimento, outra coisa é a apropriação do mesmo movimento para se tentar construir outra pauta, esse é o perigo eminente, não podemos repetir o erro de 2013, fomos as ruas contra a corrupção e no final indiretamente colaboramos para a efetivação de um golpe político retirando um grupo em troca de outro grupo ainda mais corrupto.

Já a direita ainda busca os apoios mais explícitos dos aparelhos ideológicos que historicamente apoiaram ações, a grande mídia e a igreja com o apoio da classe média, contudo, nesse momento a direita não tem nenhum candidato competitivo para à presidência e qualquer movimentação objetiva em apoio aos caminhoneiros.

A própria direita sabe que estará dando palanque para o fortalecimento de Bolsonaro, representante da extrema direita e do fascismo, nesse “jogo” sobra para eles apostarem em uma renuncia, ou em outro golpe na tentativa de instaurar um parlamentarismo de tampão ou até a antecipação das eleições, caso Lula e Bolsonaro fiquem com suas candidaturas proibidas pela ação do TSE e do Supremo.

Para a direita e a esquerda, há muito que se pensar, há muito para se planejar.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro