12 de maio de 2015 às 07h21min - Por Mário Flávio

No dia 29 de abril, as cenas do  massacre dos professores no Paraná ganharam o país e o mundo. Com educadores ensanguentados, espancados e atingidos por balas de borracha, enquanto tentavam lutar para evitar mais uma tunga no seu bolso, promovida  pela classe política. As lições que ficaram desse mais recente episódio é que ele é, infelizmente, mais uma página na história  da sucateada educação nacional.

Embora as imagens tenham despertado ondas de simpatia e apoio aos professores, e de críticas aos governantes. Passada a comoção do fato, de concreto nada restou! Não foi capaz de mobilizar uma discussão sobre a atual situação da educação  e seus gargalos: a qualidade, a formação dos professores e a sua valorização.

É apenas questão de tempo o estourar de  mais uma crise como aquela, com cenas semelhantes, na qual repetiremos os mesmos chavões e palavras de ordem, seguidos pelo conforto do silêncio. Como se uma simples postagem nas redes sociais desse-nos a tranquilidade do dever cívico cumprido. Parece até, que a luta por uma educação:pública gratuita e de qualidade, é uma causa que mobiliza apenas os que estão envolvidos diretamente nela, os professores.

O que mais nos choque nessa realidade é a  evidente insensibilidade da sociedade brasileira, e principalmente das nossas elites,  a situação caótica da educação, parece até que são imunes ao quadro. E quando me refiro às elites não estou falando dos mais ricos, aqueles 10% mais ricos, mas sim,  daqueles que servem de referência à sociedade e exercem liderança nos mais diversos segmentos: artísticos, sindical, empresarial, religioso cultural e etc… Delegou-se no Brasil, sem nenhum constrangimento, toda a gestão da educação e a discussão do seu papel na sociedade aos políticos, e foi aí que o caldo entornou.  A educação pública é um setor importante demais  para ficar apenas nas mãos deles

O grande problema é que a sociedade brasileira não compreende plenamente o  papel social da educação para o pleno desenvolvimento do país.   Ela têm duas funções, a primeira seria a de instrumentalizar  a  criança com as informações necessárias para que ela possa desenvolver as suas potencialidades plenamente.  E a segunda tão ou mais importante que a primeira é a de ajudá-lo a  encontrar o seu lugar no mundo, compreende-lo e participar ativamente da vida social.  Hanna Arendt escreveu que através da educação a criança nascia uma segunda vez, um nascimento para o mundo, para a vida em sociedade.

O problema é que o nosso sistema educacional não cumpre nenhum desses papéis; nem prepara o aluno para a vida profissional. Basta ver o desempenho do Brasil em: matemática, linguagem ou ciências. Sempre estamos nos últimos lugares, seja aluno da rede pública ou da rede privada. E  ele, tampouco prepara o aluno para a sua inserção social no mundo, para o exercício pleno da cidadania. Atualmente vários problemas sociais, e tensionamentos existentes no Brasil, são consequências direta do abandono a que foi relegada o sistema educacional brasileiro.

Se hoje nós temos uma sociedade violenta, que acredita mais na força física do que na força do direito, com linchamentos ocorrendo com frequência.  E que é incapaz de realizar raciocínios mais complexos,   analisar hipóteses e acredita em soluções simplistas. Como, por exemplo:  a redução da maioridade penal ou a liberação do porte de armas são soluções efetivas para a problema endêmico da violência. Não entendendo também que os direitos humanos não são para proteger bandidos, mas sim garantir a vida e a dignidade do ser humano. Todo esse quado desolador é uma  pequena amostra da falência do nosso ensino.

Ajudam a compor esse quadro desolador a nossa incapacidade de aproveitar as lições da história, e de bradarmos por uma salvador da pátria,  um messias que purgará o Brasil dos males. Chegando ao absurdo, de até mesmo pedir uma “intervenção militar democrática”! Seja lá o que isso for…

A confusão do  Estado Laico com ateísmo, e a força que os “telepastores” ganharam na vida política do país. Formando uma famigerada bancada evangélica  e abrindo espaço para o fundamentalismo no nosso país.  Tudo isso é um reflexo da crise na educação. Assim como a crença que  as políticas públicas para o desenvolvimento social, estão implantando o socialismo, comunismo ou bolivarianismo no país.

Já está em tempo, do país discutir seriamente sobre como pretende avançar nos próximos anos e superar os diversos problemas que nos afetam. E diante desse impasse, mais uma vez somos colocados a escolher entre a pena e a espada, só que  diferentemente da Campanha Civilista de Rui Barbosa.  Estamos escolhendo entre a força, a espada, e a educação a pena, para trilharmos a rota do desenvolvimento econômico e social.

Desde o início da nossa história  nós sempre apostamos na espada, na repressão.  Vide  o Governo Estadual de Pernambuco, que anunciou a realização de um concurso para preencher mais de 2300 vagas na PM. Porém, faz mais de dez anos que houve um concurso para professor estadual, temos uma rede cheia de “temporários”.  Por aqui a preferência continua sendo da espada em detrimento da pena,  o que ajuda a talvez a explicar a falência do midiático pacto pela vida.

Talvez seja hora de apostamos na pena, na educação! Com escolas que ofereçam condições de trabalho, sem salas superlotadas e com a valorização salarial e social do professor.  Para passar o Brasil a limpo não precisa limpo não precisamos de golpes ou ditadura, basta a educação!

*Mário Benning é Mestre em Geografia e Professor do IFPE/Caruaru. Texto postado no Blog Caruaru Vermelho 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro