20 de junho de 2015 às 11h26min - Por Mário Flávio

Na noite desta quinta-feira 18 de junho, Caruaru vivenciou mais um epsódio anti-democrático na Câmara dos vereadores e que representa o que há de mais atrasada na mentalidade no quando nos referimos ao poder público nesta Cidade e, que tinha como centralidade, a aprovação do PME ( Plano Municipal de Educação).

A pauta em questão gerou muita polêmica pelo fato de o PME ter sido construído em três dias, sem a participação da juventude que é a principal interessada no tema da Educação, principalmente no que diz respeito aos artigos que apontavam como orientação que as escolas também contribuíriam na formação em torno das questões raciais, de gênero e crenças religiosas. Os vereadores apresentaram uma emenda que retirava esse artigo do PME, utilizando o argumento de que tal formação não diz respeito as escolas, mas sim a família. Tal posicionamento, os revela os limites que esses indivíduos apresentam, no que concerne a formação humana e para a cidadania, limites que refletem a ignorância do que significa Formação para a Cidadania.

Diante deste episódio, a sessão pela intervenção de dois setores, um que representavam os/as evangélicos/as e religiosos e um outro por movimentos sociais que defendiam a permanência desse artigo e estes (os integrantes de movimentos sociais como o Levante Popular da Juventude, UESC, Consulta Popular e o Lutas e Cores) foram retirados da câmara, pelo fato de estarem protestando contra a ação dos vereadores em retirarem do PME o referido artigo.

Ora, o que é mais curioso, é que durante toda esta semana, o Prefeito de Caruaru, José Queiroz apareceu diversas vezes em um anúncio da prefeitura dizendo que a cidade está avançando em diversos espaços, e que vem se tornando uma cidade que promove a cidadania. Mas, o que nos deixa intrigado é como uma cidade que se arroga a modernidade e os avanços democráticos, inibe diretrizes educacionais que estão em voga desde a então LDB 9394/96, que garante a pluralidade e a diversidade como princípios para o exercício da cidadania. E mais curioso ainda, é que esta casa ( a Câmara dos Vereadores) se arroga como casa do povo, mas daí nos perguntamos que povo esta casa representa, se não respeita nem a diretrizes nacionais de educação e fere o direito e a possibilidade do sujeito ter acesso ao conhecimento e principalmente a compreensão da importância de respeitar diferenças ( etinica, racial, religiosa e de gênero)?

Fica nítido para nós, o quão conservadora é a mentalidade desses senhores, que pensam ainda como se fossemos pessoas ainda vivendo nos século XV, XVI ou XVII, onde a irracionalidade e a intolerância e o respeito a diversidade passavam longe. E nossas crianças e nossos jovens ficam a mercê desse tipo de atrocidade, e principalmente movida por um sentimento LGBTfóbico, racista e intolerante com os diferentes sentimentos religiosos e crenças, e mais grave ainda, é que infelizmente isto não é exclusivo desta cidade, é só olharmos o que vem sendo o congresso nacional que tem um Eduardo Cunha como liderança, e que demostra todo o seu ódio pelos diferentes.Desta forma Caruaru ainda está longe de ser uma cidade “moderna”, pois, ainda apresenta uma mentalidade medieval.

A saída para tal problema é mudarmos o jeito de se fazer política, e inibir estas figuras que se arroga nossos representantes ( a mim não representam), e construir um projeto de país que traga como base a diversidade de nosso povo, que seja de fato um Projeto Popular, e para isso precisamos de uma Reforma do Sistema Político mediante uma Constituinte Exclusiva e Soberana, organizada e construída pelo povo, e que ele seja o centralizador do poder e, que ele decida os rumos da Educação no país.

*Paulo Henrique é Militante do Levante Popular da Juventude


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro