6 de maio de 2015 às 07h55min - Por Mário Flávio

 

Senhoras e senhores, todos nós conhecemos e reconhecemos o valor cultural intrínseco à Banda de Pífanos Zé do Estado, hoje homenageada por esta Casa. Sabemos que a identidade cultural do município de Caruaru ganha força mediante a musicalidade deste grupo, que comemora 85 anos de formação. No entanto, solicitar a concessão da Medalha Álvaro Lins para esta banda possui, para mim, um valor simbólico que vai muito além de tudo o que pode ser expresso por palavras. Homenagear esse grupo é parabenizar uma família, uma história escrita com sonhos, suor, lágrimas, risos e, principalmente, esperança e fé.
O grupo, que iniciou em 1930, na cidade de São Bento do Una-PE, foi a realização do sonho do senhor Feliciano Rodrigues. Ele ficou conhecido como ‘Zé do Estado’ anos mais tarde, por trabalhar em uma repartição pública em Caruaru. Ao longo das décadas, o que se percebe é a incorporação dos filhos, dos netos, dos primos, enfim, dos parentes dele, que se unem em torno de um mesmo objetivo, um mesmo ideal. Assim como a música precisa de harmonia para que a melodia seja agradável, os participantes dessa família se unem de maneira harmônica, transformando a própria vida em uma sinfonia popular, uma canção que preenche a alma e o coração de quem escuta. Como sou um defensor da família – instituição que acredito ser sagrada –, fico emocionado vendo exemplos de união feito esse, principalmente em tempos nos quais os lares estão cada vez mais esfacelados.
Vale salientar que a Banda tem se destacado em vários setores, devido aos inúmeros projetos que coloca em prática. Um grande exemplo disso é a Escola de Pífanos de Caruaru e a Associação Brasileira de Bandas e Tocadores de Pífanos (ambas funcionando, provisoriamente, na sede da Academia de Cultura, Ciências e Letras de Caruaru). Além disso, a Casa do Pife, que fica localizada no Polo Cultural da Estação Ferroviária, se tornou um verdadeiro suporte para a perpetuação da arte mantida por esse grupo.

Para mim, esse tipo de análise ganha uma importância ainda maior. Falar da Banda de Pífanos Zé do Estado me traz recordações da minha infância. Como toda criança, tenho boas lembranças de jogos de bola, de idas ao circo, de diversas aventuras que vivenciei, em um período no qual todo o mundo era uma grande brincadeira. Em meio a tantas cenas da minha vida, há a memória mais antiga que tenho da Banda de Pífanos Zé do Estado. Isso aconteceu há pelo menos 40 anos. Naquela época, com mais ou menos 10 anos de idade, eu ouvia os ensaios da Banda de Pífanos Zé do Estado no antigo Campo de Monta – exatamente onde hoje se situa o Teatro do Sesc. A transformação do ar que saía dos pulmões dos ‘pifeiros’ até virar música sempre me fascinou. Portanto, hoje, confesso diante das senhoras e dos senhores aqui presentes, que, ao conceder esta medalha, me sinto aquele garotinho de cerca de 10 anos de idade, morador do Bairro do Vassoural, que se encantava (e ainda hoje se encanta) com os acordes da Banda de Pífanos Zé do Estado. E ainda carrego em mim o amor por Caruaru, mantendo vivos os sonhos de construirmos um futuro melhor.

A presença de nomes como o do músico Anderson do Pife representa que nessa grande família que é a Banda de Pífanos Zé do Estado há espaço para ‘filhos adotivos’. Isso me emociona também, até mesmo porque vejo que esses filhos dão novos frutos, que essa arte tem sido passada adiante e que crianças e adolescentes têm sido estimulados a valorizar a arte do pífano.

*Jaelcio Tenório é vereador de Caruaru

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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro