4 de maio de 2015 às 08h25min - Por Mário Flávio

Faltando pouco mais de um ano para as eleições municipais, o tabuleiro político começa a ser arrumado na cidade.  Com cada grupo político escolhendo os seus candidatos, e arregimentando as suas forças. E uma das grandes dúvidas que se coloca é: qual será o caminho escolhido por Queiroz? As suas escolhas darão o tom da campanha, ditarão o ritmo da disputa;  e provocarão  realinhamentos e mudanças nas forças e estratégias  da oposição.  E assim como Júlio César sabia que ao cruzar o rio Rubicão não existiria mais retorno, Queiroz sabe que após a sua decisão terá que arcar com todos os ônus e bônus decorrentes. Ele, mais do que ninguém, compreende o que está em jogo;  não apenas mais uma eleição, mas também o futuro da sua dinastia.

O Prefeito olha bem mais longe, busca garantir a predominância do seu grupo político na cidade; e a consolidação efetiva  do seu filho, Wolney Queiroz, como seu sucessor.  O herdeiro do seu legado, de toda a sua trajetória política,  do nome que ele construiu  na cidade;  com ele, num futuro próximo, elegendo-se Prefeito de Caruaru.

Buscando a construção dessa realidade, o primeiro passo é deixar gravado no imaginário da população a percepção da gestão de Queiroz como: empreendedora, eficiente, dinâmica e inovadora. Para isso estão programadas, principalmente,  para o segundo semestre desse ano e começo do seguinte, uma série de inaugurações de obras. Algumas delas, obras que se arrastam desde o final do mandato anterior, e que, casualmente, só ficarão prontas ao longo do ano eleitoral. Com esse capital político em mãos, e  diante da impossibilidade legal de seu filho ser candidato já em 2016, uma dúvida assombra o Prefeito. Qual o melhor caminho? Pois diante dele abrem-se algumas possibilidades.

A primeira possibilidade, escolher uma liderança nova e efetivamente apoiá-la, jogando todo o seu capital político na disputa. Algo parecido com que o grupo Lyra fez com ele, em sua primeira eleição. O problema dessa escolha é simples, Queiroz tem medo da história se repetir. E assim como ele desvencilhou-se dos Lyra, que a sua criatura se volte contra ele.  A história está cheia de casos com esse, criatura contra criador, sendo a traição elemento comum na política, assim como a busca por espaço e autonomia.

A segunda possibilidade é um recurso comum na política nacional e local, a cristianização de um candidato.  Essa expressão surgiu na disputa presidencial de 1950 quando o PSD, o PMDB, da época, lançou Cristiano Machado apenas para constar, e fez corpo mole na campanha. Aqui em Caruaru as três forças políticas sempre apelam para esse recurso.  Aplicando a lógica de que é melhor perder para o inimigo do que abrir espaço para a renovação da política local, a manutenção do pastoril eleitoral é estranhamente útil a todos.

Basta pesquisar e comparar as eleições passadas, olhando para o volume de campanha, os gastos com guia eleitoral,  material de divulgação e o empenho efetivo. Quando esses grupos disputam as eleições com os seus membros ”alfas”, e quando eles apoiam um membro satélite do grupo. Foi assim na disputa de 1996 com Maninho, em 2000 com Jorge Gomes e em 2008 com Ivânia Porto, todos lançados e devidamente cristianizados.

E a terceira opção, é um recurso extremamente popular atualmente, um poste! Pegar um desconhecido total,  um neófito na política local, cujos únicos predicados exigidos nesse caso seriam: ser “vendável”;  possuir uma boa figura e não cometer muitas gafes durante a campanha, para não dar muito trabalho ao marketing político. Além disso, aceitar em ser apenas o Prefeito de direito, pelos próximos quatro anos, enquanto o de fato continuaria a ser Queiroz. Apenas um mero ocupante, um regente, enquanto o herdeiro não pode assumir o trono. Seria necessário repetir em escala local a mesma estratégia usada pelo PSB, tanto com Geraldo Júlio e depois com Paulo Câmara. A de que o “Poste” foi peça fundamentável na gestão, o braço direito do Prefeito, o político novo que não estaria viciado na “velha” política.

Se esse for o caminho escolhido, teremos uma mudança gradual na comunicação municipal. Com Queiroz, que até hoje, sempre fez questão de monopolizar os holofotes, permitindo que um rosto novo seja associado ao seu governo; principalmente quando for para dar boas notícias para a cidade. Sendo esse o script, o Poste deverá ter como companheiro de chapa um vice-prefeito experiente, alguém com uma carreira política ilibada, que agregaria qualidade e daria respaldo ao novato. Porém o vital mesmo será conseguir montar uma coligação, que dê tempo de guia eleitoral necessário para massificar o seu candidato.

Ao longo desse ano teremos várias sinalizações sobre o caminho, que será percorrido por Queiroz e principalmente em que estratégia ele apostará para garantir o futuro da sua dinastia no comando de Caruaru.  No final caberá a ele, assim como Júlio César, após a sua escolha,  proferir: Alea jacta est,  a sorte está lançada.

*Mário Benning, é Mestre em Geografia e Professor no IFPE/Caruaru. Texto postado no Blog Caruaru Vermelho. 


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro