12 de setembro de 2017 às 22h21min - Por Mário Flávio

A escolha do deputado Carlos Marun (PMDB-MS) como relator da Comissão Mista Parlamentar de Inquérito, a CPMI que investiga a JBS, gerou polêmica no Congresso Nacional. O deputado é considerado o líder da tropa de choque do Presidente Michel Temer, na Câmara e, por isso, a escolha dele para a função fez com que alguns membros decidissem deixar o colegiado, acusando a comissão de ser uma farsa, como foi o caso do senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES).

Ele comparou o caso, ao do ex-procurador da República Marcelo Müller, que foi auxiliar próximo de Rodrigo Janot e é suspeito de ter agido de forma criminosa nas delações dos executivos da JBS.

“Dá mesma forma que um Promotor da República, ou um Procurador da República não pode atuar como advogado, de forma parcial, o que está parecendo, porque é criminoso. Também não pode um parlamentar se submeter a uma investigação dessa de modo parcial. Portanto, dessa farsa eu não participo.”

Além de Ricardo Ferraço, outro senador, o baiano, Otto Alencar (PSD) também deixou a comissão acusando os mesmos motivos.

“Isso é uma farsa, é uma CPI chapa branca, como nós chamamos. O ‘testa de ferro’ do Temer, na Câmara, que é o Carlos Marun (PMDB-MS) é o relator. Então, você acha que vai acontecer o que com o Temer? Absolutamente nada. Ele está envolvido na denúncias de corrupção da JBS.”

Outros parlamentares também demonstraram descontentamento com a indicação de Marun para a função, como foi o caso dos senadores Randolfe Rodrigues (Rede-AP), Ronaldo Caiado (DEM-GO) e Lasier Martins (PSD-RS).

Questionado sobre a possibilidade de desistir da relatoria por conta dos protestos, Marun foi taxativo na resposta.

“Nenhuma chance. Só quem nunca ouviu falar de mim pode ter cogitado uma situação como essa. Eu não tenho propriedade rural, não tenho boi, mas se tivesse, como se diz, dava um boi para não entrar numa briga, mas uma boiada para não sair. Eu serei o relator, apresentarei meu relatório. ”

De acordo com o presidente da CPMI, senador Ataídes Oliveira, a escolha de Marun para a função foi um pedido do PMDB, que não abriu mão de relatar a comissão.
Para tentar diminuir o mal-estar gerado pela escolha, o presidente Ataídes nomeou dois sub-relatores, sendo eles o deputado delegado Francischini (SD-PR) que assume a sub-relatoria de contratos da JBS e o deputado Hugo Leal (PSB-RJ) que fica com a sub-relatoria de assuntos fiscais, previdenciários e agropecuários.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro