23 de maio de 2013 às 17h40min - Por Mário Flávio

Um ano se passou e a primeira edição do Parlamento Jovem de Caruaru (PJC) realizou sua última reunião parlamentar na noite dessa quarta-feira (22), acompanhada por uma média de 20 pessoas na galeria. Estiveram presentes 11 vereadores jovens, de 15, que deram um tom de agradecimento ao encerramento da legislatura, além de cobrarem mais reconhecimento por parte dos atuais edis da Câmara Municipal, já que o PJC enfrentou falta de apoio da presidência da Casa desde que foi formado e, ainda, especulações dão conta de que uma segunda edição do projeto poderia ser substituída por outro formato, ou não existir mais, já que a atual composição se encerra oficialmente dia 28 de maio.

O presidente da atual legislatura, Paulo Torres (PTN) agradeceu o espaço dado para discutir diferentes temas ligados à juventude. “Enfrentamos algumas dificuldades, principalmente durante a legislatura passada, para realizar reuniões e aprovar requerimentos, mas essa primeira edição serviu para estimular os jovens a participarem do debate político em Caruaru. Com o encerramento dessa legislatura, acredito que os vereadores vão tomar ciência da elaboração do novo estatuto e vão resolver os impasses envolvendo as diferentes propostas para o segundo Parlamento. Isso pode acontecer até o final de maio, mas é preciso levar em conta o mês de junho e o período de recesso”, explicou Paulo, filho do vereador Lula Tôrres (PR), que foi membro da Comissão de Políticas Públicas para Juventude em 2012.

COBRANÇAS

Mas, mesmo com um “pai” na comissão do ano passado, os vereadores jovens constantemente reclamavam da falta de assistência, jurídica e administrativa, para orientá-los e aprovar propostas. Isso foi lembrado pelo representante do movimento LGBT em Caruaru, Cleyton Feitosa, que ressaltou a importância de pautar bandeiras dos movimentos sociais. “Essa foi uma trajetória de aprendizagem, foi a voz e o espaço a segmentos antes nunca oportunizados de se expressar. No entanto, passamos por contratempos, inclusive foi uma decisão política minha não enviar mais propostas para serem lidas, porque nossos requerimentos e anteprojetos não estavam sendo apreciados pela Comissão de Politicas para a Juventude”, reforçou.

Na verdade, dos 22 requerimentos e 12 anteprojetos produzidos, apenas um projeto com origem no PJ passou pela comissão e foi votado na Casa: a entrega do título de cidadã da deputada estadual Raquel Lyra (PSB), pela sua atuação como secretária da Infância e Juventude. A ideia veio do vereador jovem Edeweiss Arnaldo (PDT), que justificou sua ideia e ressaltou que a necessidade de entendimento entre vereadores e membros do PJC. “Esse projeto foi importante por reconhecer o trabalho de Raquel defendendo bandeiras juventude, mas é preciso destacar também que, para o próximo parlamento, os vereadores jovens não podem querer bater de frente com a Câmara, ou só fazer críticas pesadas, senão é claro que vai haver conflito e eles vão questionar a existência do Parlamento”, comentou, referindo-se indiretamente às críticas de alguns vereadores jovens à presidência.

Entre esses críticos, Jefferson Paz (PMDB) alfinetou tanto o ex-presidente da Casa, Lícius Cavalcanti (PCdoB), quanto o atual, Leonardo Chaves (PSD). “Sem desmerecer o único projeto aprovado que veio do PJ, não conseguimos aprovar uma proposta mais concreta para beneficiar a juventude local, a presidência anterior não nos deu apoio, e a atual nos prometeu mais espaço, mas ainda assim, não houve grandes avanços”, lamentou Jefferson, que entre as propostas apresentadas, havia defendido a implantação da Semana Municipal de Juventude em Caruaru. Outra crítica, com tom de lavagem de roupa suja, veio de Rayann Santos (DEM): “O motivo de termos tantas dificuldades e de a Câmara ter nos virado as costas foi o fato de que houve o temor de que a oposição usasse o Parlamento para criticar a base do governo, mas a verdade é que os vereadores não gostam de quem pensa muito”, cutucou.

PERSPECTIVAS

Em meio às críticas e alfinetadas, a vereadora Joana Figueiredo (UFPE) também expôs sua insatisfação, mas não deixou de ter esperanças no Parlamento. “Nesse espaço,  tive oportunidade de levar para discussão temas como a laicidade do estado, a importância da gestão democráticas nas escolas, paridade entre gêneros e educação. Essa foi a primeira edição do Parlamento, e como qualquer iniciativa pioneira, passa por falhas. Mas acredito que a segunda vai ser melhor, a terceira melhor ainda, e assim por diante, pois o projeto empoderou e possibilitou o protagonismo juvenil”, defendeu.

Ponto de vista esse compartilhado pela vereadora jovem Valéria Pires, embora ela acredite que esse protagonismo não dependa da existência do PJ. “Nesse trabalho realizado do Parlamento Jovem existiu uma grande expectativa de algo que não se alcançaria apenas no Parlamento. Na verdade, precisamos fazer uma autocrítica e uma reflexão do que acertamos e erramos, pois houve dificuldades também quando tentamos discutir novas propostas para o segundo parlamento. Acredito que a criação de uma nova edição do Parlamento é importante, mas para mobilizar uma gama maior da juventude caruaruense, além do fato de que chegamos a provocar os vereadores a tomarem posicionamento sobre diferentes temas discutidos desde a criação do PJ”, destacou a militante.

Independente das expectativas da criação de uma segunda edição do Parlamento Jovem, todos esses pontos de vistas diferentes de representantes juvenis foram elogiados pela cientista política Ana Maria de Barros, presente na reunião: “Eu sinto alegria de ver a juventude discutindo política, ode juventude e massa de manobra tem uma relação muito grande”.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro