5 de maio de 2013 às 10h25min - Por Mário Flávio

Da IstoÉ

Logo depois das eleições municipais de 2012, o senador Aécio Neves (PSDB-MG) teve uma conversa decisiva com o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. Foi direto ao assunto: “Geraldo, você quer ser novamente candidato a presidente da República?”, indagou o mineiro. “Se quiser, terá todo o meu apoio.” Alckmin respondeu que não e disse que trabalharia para o PSDB chegar unido em 2014. Era tudo o que Aécio queria ouvir. Sua pergunta tinha algo de retórica, pois ele já sabia que não estava nos planos do governador disputar a sucessão de Dilma Rousseff e que chegara a sua hora na fila tucana.

O que Aécio buscava mesmo era a certeza de que movimentos ressentidos do recém-derrotado José Serra não abalariam a unidade partidária em São Paulo, Estado que concentra a maior parte do eleitorado brasileiro. Com a resposta de Alckmin e o aval do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves começou a colocar em prática uma série de ações que se tornarão mais visíveis nas próximas semanas, quando ele assumir a presidência nacional do partido. Nos últimos meses, o senador mineiro se debruçou sobre diversas pesquisas, conversou com os empresários que costumam liderar as listas de doadores nas campanhas eleitorais, reuniu prefeitos e governadores de todas as regiões do País e vem mantendo encontros frequentes com economistas e analistas políticos.

No comando do tucanato, Aécio pretende liderar uma oposição bem mais aguerrida. Irá correr o País e promete finalizar até dezembro o que vem chamando de um novo projeto para o Brasil. Se depender do roteiro traçado pelo senador, a eleição presidencial de 2014 poderá ser bem diferente das duas últimas. Tanto em 2006 quanto em 2010, o PSDB não conseguiu se colocar como alternativa real na cabeça do eleitor. Não trouxe ideias capazes de animar o debate político e não conseguiu se descolar da pauta imposta pela gestão petista. Aécio trabalha agora para formular outra agenda e começa a esboçar o programa para a campanha. Do ponto de vista da economia, estarão de volta as bandeiras de corte liberal dos tucanos, agora apimentadas por críticas a políticas executadas pelo governo Dilma. Metas de inflação desleixadas, isenções fiscais seletivas, ingerências na economia, crescimento irrisório e paralisia nas obras de infraestrutura serão os alvos prediletos dos tucanos.

A contundência das propostas, contudo, ainda parece depender demasiado de um eventual fracasso da atual política econômica, obviamente descartado pelo governo. É como se, para dar certo, tudo tivesse de dar errado. O índice inflacionário é o cavalo de batalha do momento. Na quarta-feira 1º, no palanque da Força Sindical, em São Paulo, Aécio jogou no colo do governo a responsabilidade pela alta dos preços: “A leniência do governo coloca em risco uma das maiores conquistas das últimas décadas: o controle da inflação. Não vamos permitir que esse fantasma volte a nos assombrar”, disse Aécio.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro