7 de dezembro de 2011 às 00h01min - Por Mário Flávio

Perpétua é cientista política

Como a política influencia a formação da lei e o dia-a-dia do cidadão sem que o mesmo perceba.

Em uma sociedade individualista, focada no consumo e atribulada com mil e uma informações, muitas delas nem sempre úteis, graças à disseminação das redes sociais e do alcance da internet, alguns assuntos que num passado não muito longínquo, faziam parte do cotidiano das pessoas, das rodas de conversas, foram aos poucos perdendo espaço, tornando-se distantes do cotidiano, ou mesmo desapareceram. Assuntos como política, segurança pública, direito penal, só habitam o universo de muitos cidadãos em época de eleição, e nos demais casos quando são vítimas de alguma violência ou quando um caso de grande repercussão ganha as manchetes de jornais.

No mais, são assuntos que interessam a pessoas que estão direta ou indiretamente relacionadas aos seus conteúdos, pois são rotulados como temas de difícil compreensão para o cidadão médio. Esse é o desafio do nosso espaço neste blog, que nasce em momento tão oportuno. Tornar palatável, se assim podemos dizer, conteúdos que devem fazer parte do cotidiano das pessoas, pelo simples fato que interferem em suas vidas diariamente, mesmo que, muitas vezes, de maneira despercebida. O cidadão bem informado é mais atento à violação de seus direitos, desenvolve o senso crítico, é menos manipulável, torna-se mais participativo em questões de interesse coletivo que envolvam a sua comunidade, e adquire poder de argumentação sobre temas que passa a compreender. Informação e conhecimento são chaves para o desenvolvimento e a emancipação intelectual das pessoas, e espaços como este podem contribuir nesse sentido.

Estamos vivendo em um mundo de valores elásticos, onde o excesso de preocupação com a vaidade, com a imagem, com o sucesso a qualquer custo, se sobrepõe aos valores essenciais: como a ética, respeito, consideração, gentileza, alteridade, entre outros. Essa vida artificial, focada em valores supérfluos, cria predisposição para o afastamento de muitas pessoas de assuntos que deveriam permear sua rotina. Isso ocorre mais facilmente quando o tema é política! Essas pessoas, cegamente, não percebem que tudo que permeia o seu dia-dia é fruto da política, como por exemplo, a passagem do ônibus, o assaltante que lhes espera na esquina, o acesso à água potável, ao saneamento, o calçamento, e até o preço dos cosméticos que usam, pois pagam também imposto por ele.

Tal realidade se traduz através dos frutos dos arranjos políticos que criam as normas que regulam nossas vidas, e assim desde o nosso nascimento até o momento de nossa morte nos acompanham, pois também a lei de registros públicos precisou da política para existir. Se a lei regula nossas vidas, não podemos esquecer que são criadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, nas Assembléias Legislativas e nas Câmaras de Vereadores. São produzidas por políticos que receberam nossa procuração através do voto para legislar, e, assim, temos nossa parcela de responsabilidade e não podemos nos esquivar de, no mínimo, debater sobre estas duas questões: lei e política.

 

Perpétua Dantas é advogada graduada em Direito pela ASCES, Mestre em Ciência Política pela UFPE, Coordenadora do Núcleo de Práticas Jurídicas (ASCES), Coordenadora do Projeto de Extensão ‘Adoção Jurídica de Cidadãos Presos’ (ASCES), professora de Direito Penal (ASCES) e (FAVIP). Membro do grupo de pesquisa da UFPE- CAA/CNPQ: Educação, Inclusão Social e Direitos Humanos.


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Mário Flávio

Jornalista & Blogueiro