O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) continua liderando com ampla vantagem a corrida presidencial no Nordeste, mas apresenta, neste momento, um desempenho inferior ao registrado na região nas eleições de 2022. Levantamentos recentes dos institutos Quaest e Datafolha, compilados pelo professor e pesquisador Maurício Romão, apontam Lula com 51,9% das intenções de voto entre os nordestinos, contra 21% de Flávio Bolsonaro.
As informações foram publicadas pelo Blog Dellas, que destaca o peso de Lula nas disputas estaduais da região e o cálculo político envolvendo a participação do presidente nas campanhas de seus aliados.
O percentual atual ainda está distante dos 66,7% dos votos obtidos por Lula no Nordeste no primeiro turno de 2022. Na segunda etapa daquela eleição, o petista alcançou 69,34% na região. Mesmo com a diferença, o presidente permanece como principal liderança eleitoral nordestina e sua participação nas campanhas é disputada por candidatos a governador e ao Senado.
Segundo o Blog Dellas, Lula já teria sinalizado a interlocutores que pretende participar diretamente das campanhas no Ceará e na Bahia, dois estados governados pelo PT onde os atuais governadores enfrentam disputas apertadas.
No Ceará, pesquisa Datafolha divulgada no último dia 3 apontou Ciro Gomes (PSDB) com 46% das intenções de voto, contra 37% do governador Elmano de Freitas (PT), candidato à reeleição. Na Bahia, levantamento Quaest mostrou ACM Neto (União Brasil) com 40%, enquanto o governador Jerônimo Rodrigues (PT) apareceu com 37%.
A possibilidade de Lula interferir diretamente nesses cenários é um dos pontos centrais da reta final da campanha. Ao Blog Dellas, o pesquisador pernambucano Maurício Garcia avaliou que o presidente tem capacidade de ajudar seus aliados, mas ponderou que sua força eleitoral não é suficiente isoladamente.
Para Garcia, Lula “ajuda a eleger mas não resolve sozinho”, sendo necessário que os candidatos apoiados pelo presidente também construam suas próprias campanhas. A avaliação do pesquisador é de que Lula deverá vencer novamente com folga no Nordeste, porém com percentual inferior ao registrado em 2022. Ele observa ainda o crescimento da direita nas capitais menores e em grandes municípios do interior nordestino.
Pernambuco entra no cálculo de Lula
Em Pernambuco e na Paraíba, o cenário apresenta uma particularidade. Lula conta com a preferência de eleitores ligados aos principais grupos que disputam os governos estaduais. Apesar de já ter gravado vídeos com João Campos (PSB), em Pernambuco, e Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba, a participação presencial do presidente nas campanhas ainda é tratada com cautela.
O cientista político Felipe Ferreira Lima, ouvido pelo Blog Dellas, avalia que Lula também precisa considerar os efeitos dessas agendas sobre sua própria candidatura presidencial. Na disputa por um quarto mandato, a estratégia precisa equilibrar os ganhos que uma visita pode proporcionar aos candidatos aliados e eventuais impactos sobre a votação do próprio presidente.
Em Pernambuco, essa equação passa também pelo chamado voto “Luquel”, formado por eleitores que declaram apoio simultaneamente a Lula para presidente e à governadora Raquel Lyra (PSD) para o Governo do Estado.
De acordo com o Blog Dellas, Lula conversou nesta semana com dois interlocutores sobre uma possível passagem por Pernambuco e afirmou que ainda está “analisando a situação”, sem confirmar nem descartar a agenda.
O cenário se torna ainda mais complexo porque o senador Humberto Costa (PT), candidato à reeleição, reúne o apoio de dezenas de prefeitos que, na disputa estadual, seguem a orientação política de Raquel Lyra.
Com menos de um mês para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, a força de Lula no Nordeste continua sendo um dos principais ativos eleitorais da região. A dúvida, agora, é onde o presidente decidirá colocar essa força diretamente nas ruas e quais candidaturas estaduais poderão efetivamente transformar sua presença em votos.

