O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) decidiu, por 4 votos a 3, nesta terça-feira (1º), rejeitar a aplicação de punição ao candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) pela utilização de um vídeo produzido com inteligência artificial que reproduzia a imagem e a voz do ex-presidente Jair Bolsonaro. 
O material foi exibido durante a Convenção Nacional do PL, realizada em 25 de julho, que oficializou a candidatura de Flávio à Presidência da República. No vídeo, uma representação de Jair Bolsonaro feita por inteligência artificial declarava apoio ao filho. 
A utilização do conteúdo foi questionada pela Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV. A representação levou ao TSE a discussão sobre a aplicação das regras eleitorais para conteúdos produzidos ou modificados com inteligência artificial. 
O presidente do TSE e relator do processo, ministro Kassio Nunes Marques, votou contra a punição. Ele foi acompanhado pelos ministros André Mendonça, Dias Toffoli e Antonio Carlos Ferreira, formando a maioria de quatro votos. 
Ficaram vencidos os ministros Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e Ricardo Villas Bôas Cueva.
Entre os argumentos da corrente vencedora está o entendimento de que a exibição ocorreu em uma convenção partidária e que não houve pedido explícito de voto. Nunes Marques também sustentou que a utilização de inteligência artificial, isoladamente, não significa tentativa de burlar a legislação eleitoral. 
TSE estabelece parâmetros para deepfakes
O julgamento ganhou importância também porque o tribunal discutiu os limites para caracterizar um conteúdo produzido por inteligência artificial como deepfake.
Nunes Marques defendeu uma interpretação mais restrita, considerando especialmente o grau de realismo e a capacidade do material manipulado de ser percebido pelo eleitor como autêntico. 
As regras aprovadas pelo TSE para as eleições de 2026 já determinam que conteúdos sintéticos produzidos ou significativamente modificados por inteligência artificial sejam identificados de maneira explícita, destacada e acessível. A regulamentação também estabelece restrições específicas para utilização de deepfakes com finalidade de favorecer ou prejudicar candidaturas. 
A decisão desta terça passa, portanto, a ser uma referência importante para a interpretação dessas regras durante a campanha eleitoral de 2026.

