O vice-prefeito de Catende, Rinaldo Barros (PV), está entre os alvos da Operação Sangria, deflagrada pela Polícia Civil de Pernambuco nesta terça-feira (25). A investigação apura suspeitas de desvio de dinheiro público, corrupção e lavagem de dinheiro envolvendo recursos destinados à saúde do município de Condado, na Zona da Mata Norte.
Rinaldo Barros é ex-presidente do Instituto Reviver Brasil (IRB), entidade que manteve contrato para prestação de serviços de saúde em Condado. Ele é investigado por possíveis crimes de peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa. A operação cumpriu oito mandados de busca e apreensão, além de determinações judiciais para bloqueio de bens e valores dos investigados.
As investigações tiveram início em maio deste ano e são conduzidas pela 2ª Delegacia de Combate à Corrupção (2ª DECCOR). De acordo com a Polícia Civil, foram identificadas suspeitas envolvendo recursos repassados ao Instituto Reviver Brasil entre 2022 e 2024.
Segundo a investigação, parte do dinheiro teria sido recebida sem comprovação de que os serviços de saúde previstos no acordo foram efetivamente executados. Os policiais também identificaram movimentações financeiras consideradas suspeitas e apuram se operações teriam sido realizadas com o objetivo de ocultar a origem dos recursos.
Outro ponto sob investigação é o possível uso de recursos financeiros e da estrutura do Instituto Reviver Brasil para beneficiar agentes públicos.
Mais de R$ 10 milhões repassados
A operação foi autorizada pelo juiz Ícaro Nobre Fonseca, da Vara Única da Comarca de Condado. A decisão judicial, assinada no último dia 13 de agosto, tem como base uma auditoria do Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) e um Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).
Segundo a decisão, a Prefeitura de Condado teria repassado R$ 10,64 milhões ao Instituto Reviver Brasil para a prestação de serviços de saúde. A auditoria do TCE-PE apontou o pagamento de R$ 875,4 mil a empresas subcontratadas sem comprovação adequada da execução dos serviços.
Os mandados foram expedidos pela Vara Única da Comarca de Condado. A Operação Sangria contou ainda com apoio da Diretoria de Inteligência da Polícia Civil de Pernambuco (Dintel), do TCE-PE e da Rede Nacional de Unidades Especializadas de Enfrentamento das Organizações Criminosas (Renorcrim).
O caso havia sido revelado pelo Diario de Pernambuco no último dia 14, após a autorização judicial das buscas contra os investigados. A apuração permanece em andamento.

