Eduardo da Fonte segue posição de Raquel Lyra e evita declarar apoio na disputa presidencial

Mário Flávio - 24.08.2026 às 17:02h

O candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP) adotou, nesta segunda-feira (24), discurso semelhante ao da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD) sobre a corrida presidencial. Durante sabatina do Sistema Jornal do Commercio de Comunicação (SJCC), o deputado federal evitou declarar apoio a qualquer candidato ao Palácio do Planalto e afirmou que seu “presidente da República é Pernambuco”.

A posição reforça a estratégia adotada pela chapa governista no Estado. Raquel Lyra também tem evitado anunciar voto na eleição presidencial e concentra seu discurso na defesa de uma relação institucional com o Governo Federal, independentemente de quem seja eleito presidente.

“Tenho muita tranquilidade em dizer que meu presidente da República é Pernambuco, defendendo as pautas importantes para o Estado”, afirmou Eduardo da Fonte.

Ao justificar a posição, o candidato ao Senado citou votações realizadas durante seus cinco mandatos na Câmara dos Deputados para sustentar que mantém independência em relação aos governos federais. Eduardo mencionou posicionamentos em discussões como as reformas da Previdência e trabalhista, o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e a redução da jornada de trabalho.

Apesar de não declarar apoio presidencial, Eduardo rejeitou a avaliação de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deixará uma “herança maldita” para o próximo governo. O candidato destacou a atuação de Lula na tentativa de reduzir as taxas de juros no País.

“Lula tem trabalhado muito para reduzir os juros do nosso País. Ninguém entende por que o Brasil paga uma taxa de juros tão alta”, declarou. Para Eduardo, o próximo Congresso terá a obrigação de colaborar com quem vencer a eleição presidencial na busca pela redução dos juros.

STF também entra na sabatina

Primeiro candidato ao Senado por Pernambuco a participar da rodada de sabatinas do SJCC, Eduardo da Fonte também apresentou propostas relacionadas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e às demais cortes superiores. O parlamentar defendeu que os ministros passem a ter mandatos de oito anos, em substituição ao modelo atual, no qual permanecem no cargo até a aposentadoria compulsória.

“A partir de agora, o ministro que for escolhido para o cargo, seja do STJ, seja do Supremo Tribunal Federal, [deveria] ser escolhido por oito anos”, afirmou. Na avaliação do candidato, a mudança daria mais legitimidade ao funcionamento do Judiciário. Ele também defendeu sabatinas mais aprofundadas no Senado para os indicados às cortes.

Sobre eventuais pedidos de impeachment de ministros do STF, Eduardo afirmou que analisaria cada caso com base na Constituição e que estaria disposto a votar pela destituição caso entendesse haver fundamentos. Ao mesmo tempo, criticou a transformação do confronto entre os Poderes em bandeira eleitoral.

“Tem muita gente querendo usar isso como bandeira. Isso só gera instabilidade, isso só gera um ambiente ruim no País. Nós temos que respeitar os Poderes”, declarou.

Eduardo evitou apontar qualquer ministro que, na avaliação dele, devesse ser alvo imediato de impeachment. Segundo o candidato, o atual acirramento institucional exige cautela e o Senado deve analisar eventuais processos com base na Constituição, sem transformar o tema em instrumento de disputa eleitoral.