Raquel Lyra aciona na justiça vereador de Angelim após ser chamada de “louca” em discurso na Câmara

Mário Flávio - 23.08.2026 às 07:32h

A defesa da governadora de Pernambuco e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), protocolou, neste sábado (22), uma representação criminal na Justiça Eleitoral contra o vereador Maurílio Cavalcanti (PSB), de Angelim, no Agreste. A medida aponta possível prática de violência política de gênero após declarações feitas pelo parlamentar durante sessão da Câmara Municipal.

O episódio ocorreu na quarta-feira (19), durante discurso de Maurílio no plenário da Casa Legislativa, com transmissão pelos canais oficiais da Câmara. Ao fazer críticas à governadora, o vereador chamou Raquel de “louca” e afirmou que “o dia dela está chegando”.

Na mesma fala, Maurílio Cavalcanti abordou a utilização de uma aeronave adquirida pelo Governo de Pernambuco e acusou a governadora de desvio de finalidade. “Pega o avião que é para usar na saúde e muda de configuração que é para fazer as visitas políticas dela”, declarou.

A crítica faz referência a uma reportagem publicada pela Folha de S.Paulo em junho sobre uma aeronave King Air 260, adquirida por R$ 64,2 milhões, em 2025, com recursos da Secretaria de Defesa Social. Segundo a publicação, o equipamento foi comprado para reforçar a estrutura de transporte de pacientes e ampliar a capacidade de atendimento médico no Estado.

Ainda de acordo com a reportagem, em dezembro de 2025, o kit médico instalado na aeronave teria sido retirado temporariamente para uma viagem de Raquel Lyra a Brasília. Na ocasião, a governadora teria participado de reuniões com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e com o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab.

Na representação, a defesa de Raquel enquadra as declarações do vereador no artigo 326-B do Código Eleitoral, dispositivo relacionado à violência política contra a mulher e incluído pela Lei nº 14.192/2021. A legislação prevê punição para determinadas condutas destinadas a assediar, constranger, humilhar, perseguir ou ameaçar candidatas e detentoras de mandato eletivo em razão de seu sexo.

Em nota, a defesa da governadora afirmou reconhecer como legítimas as críticas e divergências próprias da atividade política, mas sustentou que as declarações ultrapassaram esse limite.

“A crítica política, a fiscalização e a divergência de opiniões são legítimas e fazem parte do debate democrático”, afirmou a defesa, acrescentando que “a desqualificação pessoal de uma mulher, especialmente por meio de estereótipos, não pode ser naturalizada como instrumento de disputa política”.