A direção municipal do PT no Recife aprovou o pedido de licença de 73 dias do presidente da legenda na capital, o vereador Osmar Ricardo, que passará a integrar a coordenação da campanha da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), no Recife. Durante o período, a presidência interina do partido ficará sob o comando de Rosano Carvalho, atual terceiro vice-presidente da sigla e integrante do grupo político ligado ao senador Humberto Costa. Os 22 integrantes do diretório municipal alinhados a Osmar permanecerão em seus cargos. “Ficarei fora até o final da eleição e voltarei sem problemas para a presidência”, afirmou o vereador.
Osmar também descartou a possibilidade de punições a filiados do PT que decidiram apoiar a candidatura de Raquel Lyra. Segundo ele, a legenda não deverá adotar medidas disciplinares nem mesmo contra o prefeito de Tabira, Flávio Marques, que divulgou um banner declarando apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, à governadora Raquel Lyra, ao senador Humberto Costa e ao deputado federal Carlos Veras, presidente estadual do PT. “Se fossem punir quem está com Raquel, iam ter que atingir muita gente”, declarou. O vereador ressaltou ainda que eventuais sanções dependeriam de um processo interno, com direito à ampla defesa, e que o debate sobre o tema deverá ocorrer somente após as eleições. “Tenho certeza que Raquel vence no primeiro turno e, assim como se entendeu com Lula nesse primeiro mandato, se entenderá no segundo”, afirmou. Ele também negou que será o coordenador da campanha da governadora no Recife, destacando que fará parte da coordenação ao lado de outras lideranças.
A aproximação de Osmar Ricardo com Raquel Lyra representa uma mudança significativa em sua trajetória política recente. Em 2024, quando presidia o PT Recife, ele foi um dos principais defensores da aliança com o PSB e participou da votação da reeleição de João Campos levando uma grande bandeira do partido. Apesar de não ter sido eleito vereador naquele momento, assumiu o mandato após Marco Aurélio (PV) deixar a Câmara para integrar a gestão municipal. Posteriormente, divergências com o prefeito, intensificadas por sua atuação à frente do Sindicato dos Trabalhadores do Município e pela assinatura de um pedido de impeachment contra João Campos, afastaram Osmar da administração municipal. Após perder temporariamente o mandato, ele voltou à Câmara quando a vereadora Flávia de Nadeji (PV) foi convidada por Raquel Lyra para integrar o governo estadual, consolidando sua aproximação política com a governadora.

