A indefinição sobre a candidatura ao Senado pela Federação União Progressista (PP e União Brasil) continua produzindo reflexos no cenário eleitoral de Pernambuco. Com a convenção da federação marcada para o dia 5 de agosto, três dias após a convenção da governadora Raquel Lyra (PSD), cresce nos bastidores a avaliação de que a chefe do Executivo poderá deixar em aberto uma das duas vagas ao Senado em sua chapa.
Entre as alternativas discutidas, está a possibilidade de registrar inicialmente apenas um nome para o Senado, que hoje teria como favorito o deputado federal Túlio Gadelha. A legislação eleitoral permite que a composição da chapa seja complementada posteriormente dentro do prazo legal. Outra hipótese cogitada é que Raquel registre, já no dia 2 de agosto, Túlio Gadelha e o senador Fernando Dueire, que busca a reeleição e conta com o apoio declarado de mais de uma centena de prefeitos pernambucanos.
A estratégia, segundo interlocutores do meio político, poderia evitar que a governadora fosse diretamente envolvida na disputa interna entre o deputado federal Eduardo da Fonte e o ex-prefeito Miguel Coelho, ambos interessados em representar a federação na disputa pelo Senado. Ao mesmo tempo, preservaria a possibilidade de Raquel manter o tempo de propaganda eleitoral em rádio e televisão da União Progressista, já que os dois grupos da federação já anunciaram apoio à sua candidatura à reeleição.
Enquanto isso, a disputa entre os dois pré-candidatos permanece sem consenso. Eduardo da Fonte esteve em Brasília nesta semana para reuniões com advogados especializados em direito eleitoral, discutindo os desdobramentos da escolha feita pela executiva estadual da federação, que aprovou seu nome por cinco votos a dois. A expectativa é de que a convenção do dia 5 de agosto, onde o PP possui maioria, confirme oficialmente sua indicação.
Caso esse cenário se confirme, Miguel Coelho poderá recorrer à Justiça Eleitoral. A tese defendida por seus aliados é que, em uma federação partidária, uma legenda não pode se sobrepor à outra na definição das candidaturas. Um eventual pedido ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PE) para concorrer de forma independente poderá abrir uma nova etapa da disputa, que ainda poderá chegar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prolongando a indefinição sobre a composição da chapa ao Senado em Pernambuco.

