As convenções partidárias começam oficialmente hoje e mesmo diante desse cenário a principal indefinição do cenário político de Pernambuco está na composição da chapa majoritária da governadora Raquel Lyra (PSD). Enquanto sua candidatura à reeleição já é dada como certa desde o início do mandato, a escolha de quem ocupará a segunda vaga ao Senado segue em aberto e concentra as articulações da base governista.
O foco das negociações está na Federação União Progressista, formada por União Brasil e PP, que ainda não chegou a um consenso sobre o nome que representará o grupo na chapa da governadora. O impasse envolve, principalmente, as lideranças do deputado federal Eduardo da Fonte e do ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, ambos apontados como protagonistas das discussões internas.
Como reflexo dessa indefinição, a Federação União Progressista decidiu marcar sua convenção apenas para o dia 1º de agosto, praticamente no limite do calendário eleitoral. A convenção de Raquel Lyra está prevista para o dia seguinte, mas o presidente da federação em Pernambuco, Eduardo da Fonte, admite que o evento poderá ocorrer de forma conjunta com o da governadora, caso essa seja a decisão do grupo político.
A demora chama atenção porque, caso já houvesse acordo sobre a indicação ao Senado, a federação poderia ter antecipado sua convenção. A estratégia demonstra que as negociações permanecem abertas e que a definição deve ocorrer apenas nos últimos dias antes da oficialização das candidaturas.
Para o cientista político Felipe Ferreira Lima, a situação é incomum na política pernambucana. Segundo ele, embora a disputa pelo Governo do Estado tenha sido praticamente desenhada desde o fim das eleições de 2022, a composição da chapa ao Senado tornou-se o principal espaço de disputa entre os grupos políticos.
Na avaliação do especialista, a antecipação da chapa de João Campos (PSB), que definiu ainda em março os nomes de Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (Solidariedade), acabou reposicionando o cenário político. Enquanto o prefeito consolidou uma chapa identificada com a esquerda, Raquel Lyra buscou ampliar seu diálogo com esse eleitorado ao abrir espaço para o deputado federal Túlio Gadelha (Rede). Com isso, restou apenas uma vaga para contemplar a Federação União Progressista, cuja definição segue cercada de expectativa.
Assim, a última peça do quebra-cabeça da chapa governista continua sem encaixe definitivo. A expectativa é que o martelo seja batido apenas às vésperas das convenções, encerrando semanas de negociações entre os aliados da governadora.

