A direita peruana está cada vez mais próxima de retornar ao poder. A candidata conservadora Keiko Fujimori aparece com vantagem irreversível na disputa presidencial do Peru e caminha para ser declarada vencedora de uma das eleições mais acirradas da história recente da América Latina.
Com 99,86% das urnas apuradas, Keiko soma 50,118% dos votos válidos, enquanto o candidato de esquerda Roberto Sánchez registra 49,882%, segundo dados divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE). A diferença ultrapassa os 43 mil votos, em um universo superior a 19 milhões de sufrágios contabilizados.
Restam pouco mais de 39 mil votos a serem processados, número insuficiente para reverter o resultado. Apesar disso, a proclamação oficial do vencedor deverá ocorrer apenas nos próximos dias, após a conclusão dos procedimentos legais conduzidos pelo Júri Nacional de Eleições (JNE).
A confirmação da vitória representará o retorno da direita ao comando do Peru por meio do fujimorismo, movimento político liderado por Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o país entre 1990 e 2000. O resultado também marca uma reviravolta em relação à eleição de 2021, quando Keiko foi derrotada por uma margem apertada pelo então candidato de esquerda Pedro Castillo.
Mesmo diante da vantagem considerada definitiva, Roberto Sánchez afirmou que não reconhecerá um eventual governo de Keiko Fujimori. O candidato de esquerda acusa o processo eleitoral de ter sido comprometido por supostas irregularidades na votação realizada no exterior e anunciou que pretende recorrer a organismos internacionais.
Sánchez defende a anulação dos votos dos peruanos residentes fora do país, alegando problemas administrativos e de custódia por parte da autoridade eleitoral. Segundo ele, sem esses votos, sua candidatura manteria uma vantagem de cerca de 25 mil sufrágios sobre a adversária.
O pedido, porém, foi rejeitado pelo Júri Nacional de Eleições, que considerou a solicitação improcedente por ter sido apresentada fora do prazo legal e sem o recolhimento das taxas exigidas.
Do lado de Keiko, a orientação é aguardar a totalização completa dos votos antes de qualquer proclamação oficial. Integrantes da Força Popular, partido da candidata, destacam que apenas os órgãos eleitorais possuem competência para validar o resultado final do pleito.
Uma missão de observação da União Europeia informou que o segundo turno ocorreu de forma tranquila e organizada, apesar do clima de forte polarização que marcou a campanha. Com a vantagem consolidada e praticamente impossível de ser revertida, a direita peruana já se prepara para reassumir o comando do país após anos de governos ligados à esquerda e ao centro político.
