Em meio às articulações para as eleições de 2026, o Partido dos Trabalhadores (PT) divulgou uma carta aberta direcionada aos evangélicos brasileiros, reforçando a estratégia de ampliar o diálogo com um dos segmentos mais influentes do eleitorado nacional. O documento foi elaborado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília, poucos dias após a Marcha para Jesus, em São Paulo. A iniciativa ocorre em um momento em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva busca reduzir a resistência histórica que enfrenta entre os evangélicos, grupo que tem demonstrado maior identificação com lideranças conservadoras nas últimas eleições.
A carta evita temas tradicionalmente sensíveis para o segmento, como aborto e pautas relacionadas à população LGBTQIA+, e concentra o discurso em ações dos governos petistas voltadas à liberdade religiosa, ao combate à intolerância e à valorização das igrejas. O texto cita iniciativas como o reconhecimento da música gospel como patrimônio cultural, a criação do Dia Nacional da Marcha para Jesus e medidas que garantem o livre exercício dos cultos religiosos. O PT também afirma que seus governos sempre mantiveram uma relação de respeito com as igrejas evangélicas.
Além de defender a continuidade do governo Lula, o documento faz críticas ao uso político da religião e à disseminação de notícias falsas. Sem citar adversários diretamente, a carta afirma que a fé não deve ser utilizada para manipulação política ou econômica e reproduz o entendimento manifestado pelo próprio presidente ao justificar sua ausência na Marcha para Jesus. O texto ainda associa valores cristãos a pautas defendidas pelo partido, como combate à fome, justiça social, valorização do trabalho, fortalecimento da democracia e proteção dos mais vulneráveis, numa tentativa de aproximar o discurso político petista dos princípios defendidos por parte do eleitorado evangélico.

