Candidato de direita surpreende e vence primeiro turno na Colômbia

Mário Flávio - 31.05.2026 às 20:45h

A eleição presidencial da Colômbia será decidida em segundo turno. Com 99,87% das urnas apuradas neste domingo (31), o candidato de direita Abelardo de la Espriella liderou a votação do primeiro turno com 43,73% dos votos válidos. O senador Iván Cepeda, apoiado pelo presidente Gustavo Petro, ficou em segundo lugar com 40,91% e também garantiu vaga na etapa decisiva da disputa, marcada para o próximo dia 21 de junho.

O resultado surpreendeu parte dos analistas políticos e dos institutos de pesquisa, que apontavam vantagem para Cepeda nas intenções de voto divulgadas nas últimas semanas. Apesar de aparecer como favorito em diversos levantamentos, o candidato governista terminou atrás de Espriella na contagem oficial do primeiro turno.

A senadora Paloma Valencia, aliada do ex-presidente Álvaro Uribe, ficou na terceira colocação com 6,92% dos votos. Já Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín, terminou em quarto lugar, com 4,25%. Os demais candidatos que participaram da corrida presidencial registraram menos de 1% dos votos cada.

Iván Cepeda tem 63 anos, é formado em Filosofia e integra o Pacto Histórico, mesmo partido do presidente Gustavo Petro. Atualmente senador, ele ganhou projeção nacional por sua atuação nas negociações do acordo de paz firmado com as Farc em 2016. Filho de um líder comunista assassinado, Cepeda defende a continuidade de políticas sociais implementadas pelo atual governo e afirma que pretende ampliar o diálogo com grupos armados ilegais para buscar a redução da violência no país.

Já Abelardo de la Espriella é advogado e empresário, conhecido por seu discurso voltado para o combate à criminalidade e pela defesa de medidas mais rígidas na área de segurança pública. Sem experiência anterior em cargos eletivos, ele se apresenta como uma alternativa fora da política tradicional e conseguiu transformar a campanha em uma das principais surpresas do processo eleitoral colombiano.

A eleição ocorre em um cenário de forte polarização política e será decisiva para definir se a Colômbia manterá um governo alinhado ao projeto iniciado por Gustavo Petro ou se retornará a uma gestão mais identificada com setores conservadores e da direita. O vencedor tomará posse em 7 de agosto para um mandato de quatro anos.