Governo Lula evita pedir classificação de PCC e CV como grupos terroristas por temor de interferência dos EUA

Mário Flávio - 27.05.2026 às 06:38h

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem evitado defender junto aos Estados Unidos a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A posição voltou ao centro do debate após o senador Flávio Bolsonaro revelar que pediu pessoalmente ao presidente norte-americano Donald Trump que as facções brasileiras sejam enquadradas nessa categoria.

No início de maio, Lula esteve na Casa Branca para uma reunião com Trump. Havia expectativa de que o tema fosse tratado durante o encontro, mas o presidente brasileiro afirmou posteriormente que o assunto não entrou na conversa. Nos bastidores do Palácio do Planalto, no entanto, integrantes do governo admitem preocupação com os desdobramentos que uma eventual classificação poderia gerar.

A avaliação do governo federal é de que enquadrar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas abriria margem para ações mais duras por parte dos Estados Unidos. Entre os receios está a possibilidade de ampliação de sanções internacionais, medidas de inteligência e até justificativas para operações externas sob o argumento de combate ao terrorismo, algo que já ocorreu em outros países em diferentes contextos geopolíticos.

Além disso, o entendimento de integrantes do governo é de que a legislação brasileira diferencia organizações criminosas de grupos terroristas. Pela lei brasileira, o terrorismo está associado a motivações ideológicas, religiosas, políticas ou de intolerância, enquanto PCC e Comando Vermelho são tratados juridicamente como facções ligadas ao crime organizado e ao tráfico de drogas.

Nesta terça-feira (26), Flávio Bolsonaro afirmou que tratou diretamente do tema com Donald Trump durante reunião realizada no Salão Oval da Casa Branca. Segundo o senador, ele pediu ao presidente norte-americano que classificasse PCC e CV como grupos terroristas. “Fui exatamente fazer esse pedido expresso a ele”, afirmou.

De acordo com Flávio, outro tema discutido com Trump foi a defesa da “liberdade de expressão” nas redes sociais, pauta que se tornou uma das principais bandeiras do bolsonarismo e de setores conservadores dos Estados Unidos. O senador também afirmou que abordou questões econômicas, como tarifas comerciais e exploração de terras raras.