Deputados estaduais do PSB subiram o tom das críticas ao Governo de Pernambuco após uma série de fiscalizações realizadas em hospitais da rede estadual no Recife. Parlamentares da oposição afirmam que a redução de leitos hospitalares e a queda nos investimentos em saúde contribuíram diretamente para o agravamento da crise enfrentada pelas unidades públicas no estado.
As inspeções ocorreram no Hospital da Restauração, Hospital Otávio de Freitas, Hospital Getúlio Vargas e Hospital Agamenon Magalhães, após denúncias feitas por pacientes, acompanhantes, profissionais de saúde e sindicatos. Segundo os deputados, foram encontrados corredores superlotados, pacientes em macas improvisadas, infiltrações, demora nos atendimentos e problemas estruturais nas unidades.
De acordo com os parlamentares, os investimentos estaduais em saúde registraram os menores percentuais dos últimos seis anos em relação à receita corrente líquida do estado. Os dados apresentados pela oposição apontam que os aportes teriam caído de 18,8% em 2022 para cerca de 15,7% e 15,8% nos anos seguintes, o que representaria uma redução aproximada de R$ 1,5 bilhão no setor.
Outro ponto destacado pelos deputados foi a diminuição do número de leitos hospitalares da rede estadual. Segundo a oposição, durante as gestões de Eduardo Campos e Paulo Câmara houve ampliação da capacidade hospitalar, enquanto nos três primeiros anos do governo Raquel Lyra o saldo apontado seria de 440 leitos a menos.
O líder da oposição na Alepe, Sileno Guedes, afirmou que o atual cenário é consequência direta da perda da capacidade de atendimento da rede pública estadual. “A crise atual não pode ser tratada como consequência apenas do aumento da demanda hospitalar. Esse colapso é resultado direto da redução da capacidade de atendimento da rede pública estadual”, declarou.
Os parlamentares também questionaram a destinação de recursos estaduais. Segundo os dados apresentados pelo PSB, entre 2023 e maio de 2026 foram destinados R$ 913,9 milhões para construção, ampliação, reformas e equipagem de hospitais. No mesmo período, a oposição afirma que R$ 1,067 bilhão teriam sido utilizados em ações de comunicação, marketing e festividades.
Vice-presidente da Alepe, o deputado Rodrigo Farias criticou as prioridades da gestão estadual. “O Governo Raquel Lyra tem demonstrado quais são suas prioridades, e elas não são, definitivamente, a saúde”, afirmou.
Um dos episódios citados pelos deputados ocorreu no Hospital da Restauração, onde parte do teto desabou pouco tempo após o governo divulgar ações de revitalização da fachada da unidade. Para a oposição, o caso simboliza o contraste entre a propaganda institucional e a realidade enfrentada pelos usuários da rede pública.
A mesma crítica foi direcionada ao Hospital Agamenon Magalhães, onde o governo lançou uma licitação de R$ 15 milhões para recuperação da fachada da unidade em meio ao aumento das denúncias sobre superlotação e dificuldades operacionais. O deputado Diogo Moraes afirmou que os problemas estruturais seguem sem solução efetiva. “A propaganda diz que está tudo bem, mas, por dentro, os problemas estruturais seguem sem uma solução efetiva”, declarou.
Os deputados também mencionaram documentos técnicos do próprio Governo de Pernambuco que reconhecem limitações na alta complexidade dos hospitais regionais, cenário que, segundo eles, amplia a transferência de pacientes para Recife e Caruaru e aumenta a pressão sobre as grandes emergências estaduais.
Além disso, os parlamentares afirmam que, desde 2023, foram fechados o Hospital de Retaguarda em Neurologia, no Recife, e o Hospital Jesus Nazareno, em Caruaru, além da desativação de três UTIs pediátricas no Hospital Barão de Lucena, Hospital Correia Picanço e Hospital José Fernandes Salsa, em Limoeiro.
O deputado Eriberto Filho informou que novas fiscalizações devem ocorrer nas próximas semanas. Segundo ele, relatórios serão encaminhados aos órgãos de controle e fiscalização cobrando medidas emergenciais para reestruturação da rede estadual de saúde.
“Essas fiscalizações vão continuar nas próximas semanas e novos relatórios serão encaminhados aos órgãos de controle e fiscalização. O que temos de concreto, e o povo pernambucano precisa saber, é que houve redução de investimentos, de leitos e de espaços de atendimento”, afirmou.
