A movimentação política desta sexta-feira (8) em Pernambuco também passa pelo Palácio do Campo das Princesas. Depois do gesto do PT em direção a João Campos, agora é a vez de Raquel Lyra receber um reforço importante no seu palanque: o apoio oficial do Progressistas.
O evento marcado para hoje reúne deputados federais, estaduais e prefeitos da legenda para sacramentar aquilo que já vinha acontecendo na prática desde o começo do governo. O PP foi um dos partidos que mais sustentou Raquel Lyra na Assembleia Legislativa. A bancada votou fechada nos momentos mais delicados, especialmente durante a crise da LOA e nas disputas políticas com setores da oposição. Agora essa parceria ganha caráter eleitoral e público.
Mas o ato de hoje não é apenas simbólico. Ele tem um peso estratégico enorme. Primeiro porque fortalece a imagem de estabilidade política da governadora. Segundo porque recoloca o PP no centro do poder estadual depois de um período de desgaste interno causado pela chegada do grupo de Miguel Coelho ao palanque governista.
E aí entra um detalhe importante: o apoio vem acompanhado da disputa por espaço na chapa majoritária. O partido quer Eduardo da Fonte candidato ao Senado. A pressão interna existe, os prefeitos defendem o nome dele e o evento desta sexta deve virar praticamente um ato de convocação pública para que Eduardo entre de vez na disputa.
Só que a conta não fecha com facilidade. Porque dentro da própria Federação União Progressista existe outro interessado na vaga: Miguel Coelho, do União Brasil. E como uma das vagas para o Senado já está praticamente reservada para Túlio Gadelha, a tendência é de uma disputa intensa nos bastidores entre Eduardo e Miguel nos próximos meses.
O apoio do PP também tem impacto direto no tamanho eleitoral da campanha de Raquel Lyra. Não apenas pelo número de prefeitos ou pela força da legenda no interior, mas principalmente pelo tempo de rádio e televisão. Sem a Federação União Progressista, a governadora entraria na campanha com uma desvantagem muito grande em relação a João Campos. Agora o cenário muda completamente.
Numa eleição polarizada, o tempo de inserção no rádio e na televisão continua sendo decisivo. Não necessariamente pelo guia tradicional, que perdeu força nos últimos anos, mas pelas inserções curtas ao longo da programação. São mensagens rápidas, repetidas diariamente, que entram no cotidiano do eleitor e ajudam a consolidar imagem, discurso e recall eleitoral.

