Operação Draft investiga desvio de R$ 2,8 milhões na Alepe; Polícia não divulga nomes de ex-deputados

Mário Flávio - 15.04.2026 às 15:40h

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, na manhã desta quarta-feira (15), a Operação Draft, que apura um esquema de desvio de recursos públicos na Assembleia Legislativa de Pernambuco. De acordo com as investigações, o prejuízo mínimo identificado chega a R$ 2,8 milhões.

Entre os alvos estão servidores públicos e dois ex-deputados estaduais. No entanto, a corporação informou que não divulgou os nomes dos envolvidos para não comprometer o andamento das investigações.

A apuração teve início em dezembro de 2023 e aponta a atuação de uma organização criminosa suspeita de praticar crimes como peculato, concussão e lavagem de dinheiro. Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão nas cidades do Recife, Olinda e Jaboatão dos Guararapes, na Região Metropolitana.

Durante a operação, os policiais apreenderam dinheiro em espécie em diferentes moedas estrangeiras, além de barras de prata. Também houve bloqueio de bens e contas bancárias por determinação da Justiça.

Segundo a Polícia Civil, o esquema envolvia a nomeação de assessores que não exerciam função efetiva — os chamados “funcionários fantasmas”. Esses servidores devolveriam grande parte dos salários ao grupo criminoso, prática conhecida como “rachadinha”.

As investigações indicam ainda que os valores desviados eram ocultados por meio de contas de terceiros, os chamados “laranjas”, com a utilização de depósitos fracionados e operações financeiras simuladas para dificultar o rastreamento.

Responsável pelo caso, o delegado Juliano de Medeiros explicou que os desvios ocorreram entre os anos de 2015 e 2019. Segundo ele, os salários dos assessores variavam entre R$ 6 mil e R$ 18 mil, mas os envolvidos ficavam com apenas cerca de R$ 300, repassando o restante aos operadores do esquema.

Ainda de acordo com o delegado, entre os itens apreendidos estão valores em moeda estrangeira e barras de prata, cujo preço pode variar de R$ 10 mil a R$ 23 mil por quilo, conforme o mercado.

As investigações seguem em andamento e novas diligências não estão descartadas.