A relação entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) ganhou novos capítulos de tensão nesta segunda-feira (13). Em entrevista à Rádio Jornal, o parlamentar fez duras críticas à condução política do governo estadual, apontando falhas na articulação entre os Poderes Executivo e Legislativo.
Durante a entrevista, da Fonte responsabilizou diretamente o secretário da Casa Civil, Túlio Vilaça, pelo agravamento do cenário. Segundo ele, o responsável pela interlocução política do governo teria perdido as condições de permanecer no cargo. “A gente sabe que a governadora Raquel Lyra tem falhado muito na articulação política. Túlio Vilaça perdeu as condições de continuar à frente dessa posição”, afirmou.
As declarações ocorrem em meio a um ambiente de instabilidade entre o governo e a federação União Progressista, formada por PP e União Brasil. Nos bastidores, o desgaste se intensificou após a gestão estadual promover mudanças em cargos ocupados por indicações do Progressistas, incluindo a substituição no comando do Ceasa. O movimento foi interpretado como retaliação política e contribuiu para o distanciamento entre as partes.
Na semana passada, Eduardo da Fonte já havia anunciado a saída da bancada da federação da base governista na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), adotando uma postura de independência. A decisão deve ser reforçada em reunião marcada para esta segunda-feira, quando deputados estaduais do grupo irão alinhar o posicionamento conjunto na Casa.
Apesar do rompimento com o bloco governista, o deputado destacou que a atuação da bancada seguirá sendo pautada pela análise de cada proposta. “Nós somos aliados, mas não somos submissos. Vamos tratar as votações tema a tema com responsabilidade e cautela”, declarou.
O cenário político também revela uma federação dividida. Enquanto o União Brasil já declarou apoio à reeleição de Raquel Lyra, o PP apresenta maioria favorável à governadora, mas ainda sem consenso interno. Paralelamente, da Fonte mantém diálogo com diferentes forças políticas, incluindo o ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB).
Segundo o parlamentar, todas as possibilidades seguem em aberto para as eleições de 2026. Entre as alternativas, estão o lançamento de candidatura própria ao governo, a neutralidade no pleito ou o apoio a um dos principais projetos em disputa no estado. A definição, no entanto, deve respeitar o calendário eleitoral, com consolidações previstas para o mês de agosto.

