Opinião – Excesso de informação, escassez de atenção – por Adjar Soares*

Mário Flávio - 11.04.2026 às 09:29h

Vivemos um cenário em que o consumidor passa horas conectado, sendo impactado por mensagens o tempo todo. Esse ambiente trouxe um efeito claro: a atenção se tornou mais escassa, a paciência diminuiu e a exigência do consumidor aumentou.

Quando a publicidade parece forçada, artificial ou desconectada da realidade, a reação é imediata. As pessoas pulam, ignoram e, muitas vezes, deixam de confiar. E aqui está um ponto sensível dessa mudança: não é apenas o anúncio que perde força, é a marca que perde credibilidade.

O contraste com os ambientes tradicionais. Existe uma diferença que o próprio consumidor já percebe. Em ambientes mais tradicionais, como o rádio, a televisão e os blogs com conteúdo sério, a publicidade tem um papel claro. Ela tem começo, meio e fim.

O público sabe que aquele momento existe. Entende e aceita. Não há disfarce, nem dúvida. Já nas redes sociais, muitas vezes a publicidade se mistura ao conteúdo. E quando o consumidor não sabe se está diante de uma opinião sincera ou de uma venda disfarçada, a confiança começa a desaparecer.

Publicidade não é o problema, a forma é Isso não significa que a publicidade perdeu valor. Muito pelo contrário. Usada de forma estratégica, ela continua sendo uma das ferramentas mais poderosas de conexão com o consumidor.

Ela informa, aproxima e influencia decisões. Mas, para isso, precisa fazer sentido. Precisa ser verdadeira. O que mudou no comportamento do consumidor. O consumidor não está cansado de comprar. Está cansado de não saber em quem confiar. Esse é o ponto central dessa transformação. Em um cenário onde todos tentam chamar atenção, não vence quem aparece mais.

Vence quem transmite segurança. Estamos vivendo uma mudança silenciosa, mas muito significativa na forma como consumimos informação e tomamos decisões. Nunca fomos tão expostos a mensagens, ofertas e tentativas de influência. E, ao mesmo tempo, nunca fomos tão seletivos. O consumidor continua aberto a descobrir produtos, serviços e marcas.

Mas passou a exigir mais clareza, mais coerência e, principalmente, mais verdade. Esse movimento não acontece apenas no consumo. Ele se reflete na forma como as pessoas se informam, se relacionam e escolhem em quem acreditar no dia a dia. No meio de tanto conteúdo, tanta promessa e tanta disputa por atenção, uma coisa começa a se destacar de forma cada vez mais clara: credibilidade.

Não a construída pelo volume, nem pela repetição, mas pela consistência ao longo do tempo. Porque, no fim das contas, não é sobre quem fala mais. É sobre quem faz mais sentido.

*Adjar Soares é diretor da CDL Caruaru e vice-presidente FCDL PE