
A Agência Estadual de Meio Ambiente (CPRH) descartou qualquer relação entre a dragagem do canal interno do Porto de Suape e as supostas mortes de cavalos-marinhos, peixes e tartarugas que circulam em vídeos nas redes sociais. A constatação foi feita após cinco vistorias técnicas realizadas em diferentes condições e locais — com as dragas em operação e também paralisadas — nos rios Tatuoca e Massangana, além da área portuária onde as obras estão em andamento.
De acordo com a CPRH, as inspeções, que contaram com a participação de mergulhadores profissionais, associações de pescadores e moradores da região, não identificaram qualquer indício de anormalidade ambiental. Toda a documentação das vistorias será encaminhada ao Ministério Público Federal (MPF).
As denúncias veiculadas em vídeos atribuídos a supostos pescadores tentavam associar a dragagem — iniciada em 29 de agosto, com previsão de remoção de mais de 4 milhões de metros cúbicos de sedimentos — à mortandade de animais marinhos. No entanto, nenhuma das entidades que representam o setor pesqueiro local confirmou a ocorrência.
A última vistoria ocorreu na sexta-feira (31), durante a maré baixa e com as dragas paradas. A equipe de 12 profissionais da CPRH não encontrou peixes mortos nem alterações na qualidade da água. “Não tenho nenhum conhecimento sobre morte de peixes, de cavalos-marinhos ou de tartarugas. A gente pede aos pescadores para observar e nos repassar algum problema, mas isso não aconteceu”, afirmou o presidente da Colônia Z-8, Lailson Evangelista de Souza.
Entre as entidades ouvidas, nenhuma apresentou registro de incidentes à CPRH nem à Diretoria de Sustentabilidade de Suape. Mesmo sem exigência legal, o Complexo de Suape implantou um plano de assistência aos pescadores, garantindo um aporte mensal de R$ 831,8 mil durante o período da dragagem. O benefício, que inclui auxílio financeiro e cesta de alimentos, contempla 548 trabalhadores indicados pelas associações: 260 da Colônia Z-8, 238 da Associação de Pescadores e Pescadoras Profissionais em Atividade no Cabo de Santo Agostinho e 50 da Associação Quilombola Ilha de Mercês.
As obras de dragagem devem ser concluídas em janeiro de 2026.
