Em audiência pública na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), o secretário estadual de Educação, Gilson Monteiro Filho, atribuiu os desafios enfrentados pela rede pública de ensino a entraves burocráticos e intervenções do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Entre as questões destacadas estão atrasos na entrega de materiais escolares, problemas na climatização das escolas e no programa de intercâmbio estudantil “Ganhe o Mundo”.
Monteiro Filho explicou que os atrasos na distribuição de materiais escolares ocorreram devido a questionamentos técnicos do TCE, que suspendeu licitações e exigiu adequações nos processos. Para contornar a situação, a Secretaria de Educação recorreu a atas do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) para adquirir os itens de forma emergencial, embora em quantidade insuficiente para atender toda a demanda.
Quanto à climatização das salas de aula, o secretário afirmou que muitas escolas não possuíam infraestrutura elétrica adequada para a instalação dos aparelhos de ar-condicionado, necessitando de reformas prévias. Ele informou que já foram adquiridos 15 mil equipamentos, com 569 das 1.069 escolas estaduais já climatizadas, um avanço em relação aos 23% registrados em 2023.
Sobre o programa “Ganhe o Mundo”, Monteiro Filho garantiu que os estudantes enviados ao Chile estão devidamente assistidos. No entanto, viagens previstas para o Canadá e Estados Unidos enfrentam impasses devido a divergências com o TCE. A Secretaria busca enviar os alunos até junho, antes que 400 deles atinjam a maioridade, enquanto o Tribunal sugere o segundo semestre, alinhado ao calendário escolar internacional.
As explicações do secretário não convenceram todos os presentes. O deputado Waldemar Borges (PSB), presidente da Comissão de Administração da Alepe, criticou a gestão, afirmando que é necessário mais do que justificar os problemas; é preciso resolvê-los. Ivete Caetano, presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Pernambuco (Sintepe), apontou deficiências estruturais nas escolas, como a falta de carteiras e a não entrega de kits escolares e fardamentos. João Vitor Memede, presidente da União dos Estudantes de Pernambuco, ironizou as justificativas apresentadas, lembrando que as mesmas vêm sendo repetidas há mais de dois anos, sem soluções efetivas.
