Queiroz diz que PDT fica na base de Paulo, volta a criticar Raquel e que é cedo para falar em 2020

Em entrevista à CBN Caruaru, o ex-prefeito José Queiroz (PDT), voltou a subir o tom contra a prefeita Raquel Lyra (PSDB). Ele disse que foi traído por ela, a quem apoiou no segundo turno de 2016. “Fomos traídos, eu e Wolney miseravelmente. Se tivéssemos apoiado Tony Gel, ela não teria vencido. Desde o começo da gestão que ela não quer nada com a gente. Está perdida”, disse.

Queiroz voltou a usar o termo “fraquinha”. Sobre a criação de uma frente de oposição ele disse que não tem nada de concreto. Também disse que é cedo para falar em alianças sobre 2020, mas que terá uma relação amistosa com Tony Gel. No entanto, descartou aliança com o Delegado Lessa. “Ele declarou apoio a Bolsonaro e quem apoia esse tipo de projeto não tem conversa. Terei uma relação amistosa com Tony, como tive na época em que fui deputado com Roberto Liberato. Estaremos na base de Paulo Câmara e tem muita coisa pra acontecer até 2020, mas não posso negar que tenho vocação para o executivo”, disse ele sobre uma possível candidatura em 2020.

Queiroz também comentou sobre uma possível dobradinha com Tonynho Rodrigues ou Miriam Lacerda para a eleição. “Temos pessoas no nosso campo e no grupo de Tony Gel que defende essa aliança, mas é muito cedo para esse tipo de especulação”, garante.

Ele ainda defendeu o nome de Fernando Haddad para à presidência e disse que o PDT segue na base do governador Paulo Câmara.

Situação de João e Raquel no PSB segue indefinida

Raquel e João tiveram uma longa conversa com o presidente do PSB, Sileno Guedes e com o governador Paulo Câmara. Imagem: Paulo Roberto Filho

Raquel e João tiveram uma longa conversa com o presidente do PSB, Sileno Guedes e com o governador Paulo Câmara. Imagem: Paulo Roberto Filho

Terminou agora há pouco a reunião para decidir o futuro dos Lyra no PSB. De acordo com informações obtidas pelo blog, a conversa não definiu a situação do partido em Caruaru. Além de João e Raquel, participaram do encontro o presidente do PSB no Estado, Sileno Guedes e o governador Paulo Câmara. A decisão do PSB ficou para os próximos dias e segue o mistério com quem vai ficar o comando da legenda socialista na Capital do Agreste.

Atualmente a presidenta do PSB em Caruaru é a ex-deputada Laura Gomes, que junto ao marido, o vice-prefeito Jorge Gomes, defende a permanência da aliança com o prefeito José Queiroz (PDT). João Lyra quer o comando do PSB, para que Raquel seja candidata com o aval da sigla. A expectativa é que a definição saia até a próxima sexta-feira (11). Caso o PSB não aceite o que quer João e Raquel, ambos devem ir para o PSDB, ou pelo menos, um dos dois.

Após interdição, Queiroz comemora reabertura do matadouro

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A manhã de hoje foi para unir os marchantes e tomar um café com o prefeito de Caruaru, José Queiroz. O gestor comemorou o fato da Delegacia Regional do Trabalho autorizar a reabertura do Matadouro Público, que esteva fechado devido a uma série de problemas.

“O investimento foi alto, mas não importa. O matadouro de Caruaru se tornou o melhor da região e o que interessa realmente é a satisfação em atender as necessidades dos trabalhadores. É importante também que haja dedicação e cuidado com o ambiente, pois devemos lembrar que o bom trabalho sempre é realizado em equipe”, disse.

O local será reaberto amanhã.

Finalmente… A prefeitura de Caruaru acordou e criou uma nova área de lazer na Agamenon

A partir do próximo domingo (21) a prefeitura de Caruaru vai deixar uma das vias da Avenida Agamenon para ser destinada para atividades que compreendem lazer e mobilidade. O nome do projeto será “Espaço de Lazer Caruaru” e será uma réplica do que existem em outras importantes cidades do Brasil, como Maceió, que fecha parte da orla aos domingos e feriados.

O espaço destinado às atividades compreende trechos de três avenidas: Manoel de Freitas, Oswaldo Cruz e Agamenon Magalhães. Os motoristas que trafegam no sentido subúrbio-cidade terão a opção de entrar à direita na Rua Professor José Leão, ao lado do estádio do Central e depois seguir pela Avenida Visconde de Inhaúma até a Avenida Rui Barbosa. As ruas serão isoladas com cavaletes e cones e será proibido estacionar nelas durante o horário de funcionamento da ação. Demorou, mas uma boa iniciativa.

Em entrevista, Queiroz diz que Sulanca, Revitalino e asfalto na zona rural serão prioridades em 2014

Em entrevista, Queiroz anunciou novos investimentos - Crédito; Robson Nielson/Radio Cultura

Em entrevista, Queiroz anunciou novos investimentos – Crédito; Robson Nielson/Radio Cultura

Enquanto o vice-governador João Lyra (PSB) dava uma entrevista à Rádio Jornal, na manhã desta sexta (27), em que criticava a atual gestão municipal em Caruaru, o prefeito Zé Queiroz (PDT) fez um balanço administrativo durante o programa Mesa Redonda, da Rádio Cultura. Durante duas horas de entrevista, o prefeito falou principalmente sobre  mobilidade, prestando contas da Operação Asfalto, que este ano asfaltou 30 ruas, e sobre as recentes ordens de serviço autorizando o início das obras de calçamento em mais de 15 ruas, com recursos do Fundo Estadual de Apoio do Desenvolvimento Municipal (FEM), do Governo de Pernambuco.

No contexto

João Lyra: “A gestão do prefeito Zé Queiroz não se modernizou e não tem planejamento”

Em relação à feira da Sulanca, o prefeito reforçou que depende de um conversa com o governador Eduardo Campos para ajustar os detalhes e, finalmente, apresentar o projeto aos sulanqueiros. “Estou tentando uma audiência com ele ainda hoje, mesmo depois do expediente. Estamos trabalhando no projeto, mas não posso apresentar nossa concepção antes da palavra final do governador sobre o assunto”, explicou Queiroz.

Sobre o Alto do Moura, o prefeito destacou que a obra na Travessa Mestre Vitalino foi concluída e que a construção da Casa da Mulher Artesã está em andamento, ambas do projeto Revitalino. O restante dos equipamentos (pórtico, estacionamento, receptivo e revitalização da avenida principal da localidade) deverão estar prontos até a Copa do Mundo.  Outra obra importante para 2014 será o asfalto para as estradas da zona rural. “Em janeiro, daremos início à licitação”, afirmou o prefeito.

Outros dois investimentos foram anunciados. A emenda parlamentar no valor de R$ 1,2 milhões, da deputada estadual Laura Gomes (PSB),  que será destinada à construção do Parque do Monte Bom Jesus e a revitalização da Avenida Agamenon Magalhães. “Vamos instalar iluminação em LED em toda a avenida, dar um novo tratamento paisagístico ao canteiro central com arborização de médio e grande porte, além de incluir pontos de travessia em todas as esquinas do canteiro central para promover a acessibilidade”, disse.

DIÁLOGO

O prefeito preferiu se esquivar de assuntos polêmicos, incluindo a investigação e prisão dos 10 vereadores caruarenses semana passada na Operação Ponto Final. No entanto, ele chegou ainda a mencionar que está disposto a dialogar com a categoria de professores da rede municipal, que tem travado uma campanha contra a atualização do Plano de Cargos e Carreiras no início do ano. Ainda assim, ele voltou a mencionar que a categoria não deveria extrapolar limites e desrespeitar a “figura do prefeito”.

A Casa caiu em Caruaru – por Mário Benning*

A data 18 de dezembro de 2013 entrará para a história local, como o dia da vergonha, pois nesse dia dez vereadores – praticamente metade da Câmara Municipal – foram presos acusados de concussão, ou seja, utilizar-se do cargo para obter vantagens pessoais.  A casa caiu não apenas pela descoberta desse suposto esquema, mas também porque o pouco de dignidade que ainda restava na Câmara Municipal foi por terra.

Depois de um ano tumultuado, a atual legislatura fechou com chave de ouro. Os problemas começaram logo no início do ano: ao serem cúmplices no desmantelamento da carreira dos professores municipais; seguiram-se cenas de pugilato em seu interior; pronunciamentos na tribuna, tanto da oposição quanto da situação, que beiraram a imbecilidade; além da desfaçatez de exigirem camarotes e vagas especiais para estacionar às custas do erário público. E ainda, entupiram as sessões aprovando requerimentos inúteis ou criando datas comemorativas ridículas, como o Dia do Ouvinte do Rádio.

A prisão apenas confirmou o ditado: “o que começa errado não pode terminar certo”. A razão apontada para esse desfecho vergonhoso foi uma longa operação deflagrada pela Polícia Civil ao longo de quase oito meses. Com direito a escutas telefônicas e câmeras escondidas que levaram ao pedido de prisão preventiva dos edis.

Como o inquérito policial corre em segredo de justiça, e na audiência realizada em Recife, quinta passada, a polícia apenas repetiu as informações dadas na véspera; a não divulgação de novos fatos contribuiu ainda mais para turvar a compreensão do que realmente ocorreu em Caruaru.

Infelizmente, a investigação por si só comprova a falência do nosso sistema de representação política, que permite a montagem de coligações espúrias e o abuso do poder econômico. Fatos que permitem a eleição de indivíduos  que estão apenas interessados em servir-se do que é público e não servir ao público. Agravou o cenário local a montagem dos famosos módulos partidários, que facilitaram a eleição dos donos dos diretórios municipais dos partidos tanto da base quanto da oposição.

Porém desse escândalo surgem alguns fatos que merecem ser apreciados. O primeiro é evitar o linchamento moral a priori dos que estão detidos. Tem-se que aguardar a conclusão do inquérito e o encaminhamento do processo para que saibamos o grau de envolvimento de cada um no esquema desmantelado.

Afinal, já houve erros em outras investigações e jogaram reputações na lama, arrasando carreiras politicas e destruindo vidas. Tivemos o caso do ex-ministro da saúde Alceni Guerra, acusado de superfaturar a compra de bicicletas, o do  Ex-Presidente da Câmara Federal Ibsen Pinheiro, acusado como participante do esquema dos anões do orçamento. E em escala local, o escândalo das sanguessugas que tirou Humberto Costa do segundo turno da eleição para Governador em 2008. Todos inocentados a posteriori, mas que sofreram com a cobertura passional dos escândalos.

A presunção da inocência é um direito de todos, assim cabe-nos esperar o andamento das investigações para que haja a severa punição dos envolvidos e, se por acaso nada se provar contra alguns dos detidos, que os mesmos possam voltar a exercer plenamente os seus mandatos.

O segundo fato é que, embora a Prefeitura negue a sua participação na deflagração da operação, afirmando que apenas colaborou quando foi solicitada pela Polícia Civil, a mesma foi a grande beneficiada com a operação.

Claramente, a operação ajudou a Prefeitura a enquadrar sua base de apoio, demarcando os limites das relações fisiológicas praticadas em Caruaru. A prefeitura sinalizou que só aceita negociar no atacado e não no varejo, se o vereador quiser indicar os diretores das escolas, ou conseguir algum emprego para os seus familiares ou apoiadores, tudo bem. Porém a mesma se recusou a ter que atender a demandas por mais espaço a cada votação importante. As infidelidades e achaques não serão tolerados.

O único senão que resta é a justificativa para apenas monitorar os vereadores. O interessante teria sido que as investigações tivessem sido feitas sem o conhecimento da Prefeitura. Afinal se a Polícia afirma que a razão para deflagrar a operação decorreu dos pronunciamentos públicos dos vereadores sobre a cobrança de propina na tribuna, nos blogs e nas emissoras de rádio; nesses mesmos veículos eles também falavam das pressões dos bastidores do executivo municipal para aprovar as matérias enviadas de última hora. Teria sido mais salutar investigar ambos os lados dessa moeda: o Legislativo e a Prefeitura. E assim, revelar os reais termos dessa relação, e não apenas parte dela.

O terceiro ponto é a possibilidade de uma renovação com a posse dos suplentes. Infelizmente essa possibilidade é mínima. Pois os mesmos já estão preocupados em ocupar os gabinetes e indicar os seus assessores, em cobrar os seus espaços, mesmo que as investigações não estejam concluídas. Trocamos apenas seis por meia dúzia, teremos suplentes atemorizados em assumir o papel do contraditório, pois se associarão imediatamente à prática salutar de serem, por exemplo, oposição com a busca por benefícios pessoais.

A casa caiu em Caruaru, pois não foi erguida em bases sólidas, como em célebre passagem do evangelho, e cabe a todos nós lutarmos para que a mesma seja reconstruída e que passe realmente a ser a Casa do Povo de não de poucos.

*Mario Benning é analista político e professor no IFPE

Prefeito de Caruaru decreta luto de três dias pela morte de Vital Santos

O prefeito de Caruaru, Zé Queiroz (PDT) decretou, nesta manhã, 18, luto oficial de três dias pela morte do dramaturgo e teatrólogo caruaruense Vital Santos. Com 65 anos de idade, Vital morava em recife e estava enfrentando complicações por causa de um câncer. O artista faleceu nesta manhã, no Hospital da Ilha do Leite, na Capital do estado.

Entre as principais obras de Vital, estão: “O auto das sete luas”, “Olha pro céu meu amor”, A menor pausa” (traduzida para o francês); “O demônio está de branco” (traduzida para o espanhol); “A noite dos tambores silenciosos”; “A árvore dos mamulengos”. Também dirigiu o Teatro de Comédia do Paraná e o Projeto Pixinguinha (da Fundação Nacional de Arte – Funarte).

Em 2011, Vital foi um dos homenageados do São João de Caruaru. “É uma perda lamentável. Vital elevou o nome de nossa cidade através de sua arte, levou Caruaru para os lugares por onde andou,” lastimou o prefeito José Queiroz.

Tony, João e Zé não vão caminhar juntos em 2014

Com a vinda do deputado estadual Tony Gel para o PMDB o que mais se ouve é que acabou a oposição em Caruaru e que o trio João Lyra (PSB), Zé Queiroz (PDT) e Tony Gel vai estar junto no pleito do ano que vem. No entanto, as únicas situações em comum que os três estarão juntos será o apoio aos candidatos indicados por Eduardo Campos para o governo e senado de Pernambuco. Na disputa para o legislativo, ou seja, Câmara Federal e Assembleia Legislativa, cada um tem o seu projeto próprio.

O prefeito Zé Queiroz já tem a estratégia definia para a reeleição do deputado federal Wolney Queiroz (PDT). Ele vai dobrar em Caruaru com o maior número de candidatos a deputados estaduais possíveis. Nessa cota entram Laura Gomes (PSB), Dr. Demóstenes (PTB), Roberto Liberato (PRP) e Adolfo José (PSD). Os governistas esperam ainda pelo sinal verde de Raquel Lyra (PSB), para ajudar na composição.

Essa aliança com a herdeira política da família Lyra é incerta. O ranço entre João e Zé segue firme e a distância entre os dois líderes os afastam cada vez mais de objetivos políticos. Caso se confirme mesmo o rompimento, Raquel pode sair sem candidato a deputado federal em Caruaru, já que dificilmente os Lyra iriam voltar a fazer dobradinha com candidatos de fora, como já houve com Sérgio Guerra, na década de 1990. O eleitor de Caruaru não vê com muita simpatia esse tipo de aliança.

No campo da oposição o deputado estadual Tony Gel ainda não decidiu se disputa a reeleição para a Alepe ou tenta voltar para a Câmara Alta. Se o ex-prefeito for mesmo disputar um mandato de deputado federal, Miriam Lacerda seria o nome para compor a chapa e vai tentar voltar a disputar um mandato na Assembleia. Com os cenários montados, fica mais provado que a aliança entre João, Tony e Zé se entende apenas a majoritária de 2014 e após o pleito, tudo volta ao normal e os três palanques para o pleito de 2016 começarão a serem erguidos.

Entrevista – Lino Portela: “Orçamento Participativo surpreendeu porque tem ações fáceis de fazer”

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Após 37 plenárias que abrangeram áreas nas zonas urbana e rural, o Ciclo 2013 do Orçamento Participativo em Caruaru se encerrou, ainda em meados de setembro. A prefeitura comemorou as atividades realizadas, que contaram com quase nove mil caruaruenses, os quais chegaram a um consenso de 45 propostas aprovadas que devem ser encaminhadas para integrar a Lei Orçamentária Anual, LOA, para 2014. Dessas propostas, 33% dizem respeito à saúde; 30% à infraestrutura e 26% à educação.

Nesse contexto, o diretor do Orçamento Participativo, Lino Portela (PCdoB), conversou com o blog sobre a evolução do Orçamento Participativo em Caruaru, a viabilidade das propostas apresentadas, a relação do OP com os vereadores e a demanda da população por uma nova cultura política na Capital do Agreste. Confira.

Johnny Pequeno – Eu gostaria que você resumisse sua impressão sobre as atividades do ciclo do Orçamento Participativo em 2013, comparando-o com as atividades do OP até o final de 2012.

Lino Portela – Na realidade, são dois eventos distintos. O OP 2012 tinha um caráter de dar partida ao processo participativo. Por questões ligadas ao processo eleitoral e à conjuntura política, que impedia maiores investimentos, ele teve uma capacidade reduzida. Em 2013, com um pouco mais de tempo, fora do período eleitoral, a prefeitura teve essa capacidade melhorada e pôde fazer um Orçamento Participativo mais abrangente; que ainda não é o ideal, do ponto de vista do nosso planejamento. Mas os avanços são grandes, quando você considera o volume de plenárias – 37 – das quais 33 em um calendário em que nenhuma plenária nós furamos, ou seja, conseguimos realizá-las como planejamos, com dois meses de antecedência; além de mais 4 plenárias espontâneas, em um período no qual visitamos 45 bairros da cidade e 50 comunidades da zona rural. De 2012 para 2013, com certeza a evolução da participação foi significativa.

Já que você falou em evolução do processo participativo, como foi a recepção da população?

O espaço de divulgação foi fértil. Naturalmente em função do volume de plenárias, chegamos a lugares onde a ouvidoria do município ainda não tinha chegado. E as pessoas falavam à vontade. Nesse momento, a primeira fala sempre é um desabafo, são realidades, e a partir desses discursos vamos construindo possibilidades. Não tivemos ninguém durante as plenárias que aquele momento era ruim, mas todas faziam seus discursos. Não houve discursos de enfrentamentos à gestão, mas de questionamentos sobre questões relativas à infraestrutura, calçamento, a própria saúde que deve passar por uma significativa melhora com as inaugurações de unidades de saúde previstas na cidade. O momento em que eu mais me sentia à vontade era quando as pessoas podiam falar, e elas já sabem o que dizer.

A primeira fala sempre é um desabafo, são realidades, e a partir desses discursos vamos construindo possibilidades

Mas na sua avaliação, qual o segmento da população que sente mais abandonado: na periferia da zona urbana, ou na zona rural?

A periferia é uma palavra nova, a cidade não está acostumada a falar em periferia. Caruaru sempre falou em cidade e zona rural. Mas o próprio crescimento da cidade fez surgir a chamada periferia, que entendo não ter ainda uma identidade cultural com a história da cidade, ela é resultado de migrações de outras cidades e de situações econômicas que fazem com que as pessoas fiquem mais distantes do centro da cidade. São realidades distintas, a zona rural trabalha questões relacionadas a estrada, abastecimento, na cidade são questões ligadas à infraestrutura, como o volume de ruas a serem calçadas. Essa demanda foi constante no OP, por exemplo. Mas tivemos pessoas pedindo cursos ligados a desenvolvimento social, para interiorizar ações nos bairros. São coisas que quando você escuta dos cidadãos falando, você fala “é verdade, precisa disso”. Trata-se de um espaço construtivo.

No caso, mais construtivo do que quando um vereador chega à tribuna, na Câmara Municipal, e fala que ele apresentou requerimento tal para determinado local aqui em Caruaru?

O vereador é o político mais próximo da população e, tradicionalmente, tem uma atuação junto à comunidade de escuta das realidades. Na divulgação do balanço geral do OP [realizado na terça, dia 24], tivemos a presença de 9 vereadores, alguns deles eu convidei, uns estavam viajando e outros justificaram devido a compromissos. Mas a presença deles nesse processo demonstra que na evolução do ciclo, os vereadores perceberam que o OP fortalece as demandas, que eram muitas vezes solitárias. Poucas pessoas sabem que o vereador tem uma luta solitária junto a secretarias municipais e governo estadual. Os vereadores agora poderão dizer: “tá vendo como essa demanda aqui era o que a população queria”.

Mas houve dissabores com alguns vereadores, da própria base do governo, como Gilberto de Dora (PSB), que reclamou da forma como as plenárias eram divulgadas e que os os parlamentares não estavam sendo chamados para o evento, apesar de o próprio socialista ter participado de plenárias. Você acredita que isso foi um processo natural, de adaptação dos edis?

É um processo de conhecimento e de reconhecimento. Durante a divulgação do balanço do OP, aliás, o presidente da Casa, Leonardo Chaves (PSD), citou que nós estivemos na Câmara, acompanhar o Legislativo é uma atividade constante da gente, em respeito à legitimidade representativa dos vereadores. Nesse diálogo que tivemos na Câmara a gente reconheceu alguns eventos, mas a partir desse instante foram feitas as correções e os vereadores puderam participar efetivamente das plenárias, mobilizaram a comunidade e se tornaram efetivamente legisladores do século 21. Não que eles não sejam, mas incorporaram essa coisa nova, que é discutir política pública o ano inteiro, independente de ser ano eleitoral ou não.

Os vereadores agora poderão dizer: ‘tá vendo como essa demanda aqui era o que a população queria’

Pelo balanço apresentado, a gente percebe que a participação da população por eixo temático se deu na maior parte no que tratava de Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico e Rural, e em Saúde. Isso serviu para a prefeitura analisar que as reivindicações refletem que as pesquisas de avaliação do governo recentes estariam, de fato, próximas da realidade, ou vocês já previam o foco nessas duas demandas?

Fazer um orçamento participativo em uma cidade que conta com mais de mil ruas a serem calçadas é um desafio. Aguardávamos que questões ligadas à infraestrutura seriam prementes. Eu coordenei pessoalmente o eixo de infraestrutura em 6 plenárias, e aí você tem construções do eixo de infraestrutura, em que a comunidade trazia proposta de construção de uma escola, por exemplo, que depois de eleita, é uma demanda de educação. Então, esse eixo levou diversas demandas que são do entendimento da população.Já no eixo de Saúde, extremamente bem conduzido pela secretária Aparecida Souza, ela estabeleceu o seu planejamento de secretaria baseado boa parte dele, no Orçamento Participativa, para ela foi muito positivo, algo que também se reflete nos demais eixos, a partir do encaminhamento das propostas dos participantes.

No perfil das propostas aprovadas, há um foco principal em infraestrutura, saúde e educação; e temos um percentual menor em Desenvolvimento Rural, assim como Cultura e Turismo, que aparece com 2% . Você avalia que isso representa que Cultura e Turismo são áreas que demandam pouco investimento, ou a população ainda não despertam para carências nesses setores?

Acho que as propostas de Cultura e Turismo são percepções que vão servir para ações de incremento. Mas o cidadão se projeta para áreas em que há uma maior percepção. Então Educação e Saúde, por exemplo, seriam naturalmente os eixos mais bem visitados. Contudo, todos os eixos merecem atenção e acredito que Juventude, Esporte, Lazer, Cultura e Turismo, são eixos dos quais a prefeitura entende a necessidade de levar mais ações. Inclusive, não só nos eventos culturais em si, mas para reforçar junto à população que Caruaru possui uma identidade histórica e cultural riquíssima.

E como será o processo de análise dessas propostas para que sejam integradas à Lei Orçamentária Anual e ao Plano Plurianual?

Estamos desde o dia 15 de setembro, com a prefeitura e com a empresa que elabora a LOA e PPA, discutindo isso. Apresentamos alguns relatório do Ciclo, para fazer com que o PPA contemple as propostas do OP. Estamos debatendo de que forma isso vai compor a Lei Orçamentária. No caso do orçamento, você tem destinação exata. Com isso, é preciso ter valores específicos. Como nós não temos isso, por ser uma ação de planejamento, é possível que a construção na LOA se faça dentro do planejamento das ações da prefeitura, com descrições do tipo: obras do Orçamento Participativo. Mas, no PPA isso estará mais especificado.

Quando o gestor tiver a capacidade, a prioridade é a obra que consta no OP

Em tempos de crise dos municípios, algo citado pelo próprio prefeito, é possível atender todas essas prioridades elencadas pela população, sem conflito com o que é planejado previamente pelo governo?

Entre as obras eleitas, há uma ou outra que demanda planejamento, captação de recursos, editais de licitação, questões que demandam tempo, fruto da burocracia da administração pública. Mas, o OP surpreendeu porque tem ações fáceis de fazer. Ações de humanização, de atendimento, que efetivamente não são obras físicas e que serão possíveis. Já algumas propostas relacionadas a obras físicas já estão sendo analisadas pelas secretarias e algumas ações devem ser tomadas já para o ano que vem. Discute-se bolo financeiro, pacto federativo, uma melhor distribuição de recurso e, se não fosse isso, Caruaru já teria algumas ações sendo executadas. Mas, o que é importante: quando o gestor tiver a capacidade, a prioridade é a obra que consta no OP.

Já está sendo pensado o Ciclo do Orçamento Participativo em 2014?

Nós temos atividades até o final do ano. Teremos o fórum de delegados, pois tivemos 142 delegados eleitos e vamos eleger o Conselho do Orçamento Participativo. A partir de janeiro a gente já tem atividade com fórum, com conselho, a partir de fevereiro e começo de março é que começamos o planejamento do OP 2014. Vamos avaliar os acertos e desafios. Já passamos por isso uma vez e a tendência é que seja mais produtivo.

A Diretoria de Orçamento Participativo está ligada à pasta de Participação Social, que ainda precisa ser decretada oficialmente, a partir da mini-reforma administrativa, que precisa ser enviada à Câmara Municipal. Você acredita que ainda vá demorar para que isso aconteça?

Isso é um assunto não nos cabe falar tão profundamente, já que nossa secretária Louise Caroline tem toda a competência para discutir isso com a gestão, mas nossa esperança é de que tudo vai ser resolver para que possamos ter uma estrutura cada vez melhor, para produzir resultados para a população.

Zé Queiroz apresenta projeto de abastecimento a Fernando Bezerra para conseguir verba da Integração nacional

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Já estava confirmada reunião entre o vice-prefeito de Caruaru, Jorge Gomes (PSB), e o presidente da Compesa, Roberto Tavares, nesta sexta, 27, em Recife, para apresentação de projeto de engenharia de abastecimento de autoria do Executivo Municipal. Mas o prefeito Zé Queiroz (PDT) se antecipou e, aproveitando a vinda do ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho (PSB),  reuniu-se com o ministro e entregou o projeto completo de abastecimento de água para oito localidades da zona rural de Caruaru, do 4º distrito.

“Precisamos dar continuidade ao programa de abastecimento iniciado pelo Governo do Estado no segundo distrito e por nosso município, onde passamos a abastecer Terra Vermelha e Serrote dos Bois”, justificou o prefeito.

A Prefeitura elaborou projeto para as localidades de Caldeirão, Reinado, Riachão, Malhada de Pedra, Xicuru, Palmatória 1 e 2, além de Cajazeiras, beneficiando cerca de mil famílias, o que corresponde a 3.500 pessoas. A população seria atendida pelas adutoras do Prata e Jucazinho, diminuindo o sofrimento da população causado pela estiagem. O investimento total é de R$ 3.393.443,76, incluindo a implantação da tubulação e a construção de uma Estação de Tratamento de Água.

O Ministro garantiu o recurso através do Ministério da Integração Nacional, apesar de estar de saída da pasta. O montante deve ser repassado à Compesa para executar a obra. “É preciso aproximar a água das regiões mais secas. Hoje, o Ministério da Integração Nacional, está com mais de 20 bilhões aplicados em todo o Brasil para melhorar o abastecimento. Vamos incluir Caruaru nessas ações”, afirmou o Ministro. O Secretário Estadual de Agricultora, Aldo Santos, vai levar a notícia para a Compesa.